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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Dica de livro: Coleção Mão na Ciência

Oi pessoal! Nem de longe conseguiria dar ao blog o ritmo de antes mas, aos poucos, estou voltando. E com uma dica. Foi em um feira de livros, assim, quase que por acaso, em uma banca de promoções, que me deparei com esta preciosidade: a coleção Mão na Ciência, da Editora SM, promete, e cumpre, apresentar a ciência de maneira simples e com muitos experimentos.

Fazem parte da coleção os livros:
  • Os mistérios da visão

  • O olfato e o paladar

  • Os segredos da água

  • O coração da Terra.



Um prato cheio para todo pequeno cientista. Divirtam-se!

sábado, 4 de junho de 2011

Você sentiu o que eu senti? Uma visita à Exposição Sensações do Passado Geológico da Terra e um relato positivo sobre a sensibilidade sensorial





A Exposição Sensações do Passado Geológico da Terra, que está na Casa da Ciência da UFRJ, merece ser vista.

E revista.

Mas vá sem pressa....

Resista à tentação de dar uma olhada rápida seguida de expressões do tipo: "Olha que legal, filho!"; ou: "Olha que inseto grande!". E ponto final.

Se você for à exposição com essa urgência em vinte minutos terá visto tudo e, talvez, até saia de lá um pouco desapontado.

Para sentir o passado geológico da Terra é preciso um pouco mais de calma...

É preciso aquele relaxamento em que mergulhamos nas tardes de domingo...

É preciso despir-se um pouco e deixar-se levar pelos olhares, pelo tato, pela audição e até mesmo pelo olfato....

Na verdade, quem me fez perceber tudo isto e me guiou nesta exposição foi Pedro. Pedro convidou-me a cheirar, ver, mergulhar na lava incadenscente...

Nesta exposição pude ver que a hipersensibilidade sensorial de uma criança superdotada tem um lado positivo, aguçado, de prontidão para os estímulos da vida, capaz de perceber nuances que certamente nos escapam.

Na exposição há um grande colchão branco onde podemos relaxar e ouvir os sons do Planeta. Ao redor há projeções da natureza na grandiosidade de suas geleiras, seus desertos, suas montanhas. De lá, pode-se ver também a evolução do homem. E um iguanodonte com suas pegadas. Ah, e como poderia me esquecer, há as flores também.

O que sei é que Pedro rodeado por tudo isto, suspirou, fechou os olhos e disse:

"Eu queria que o mundo ainda fosse assim; tudo seria mais livre...
Você entende mamãe?"

Depois disso ficamos em silêncio, não consegui responder, só abraçá-lo. De minha parte, foi um silêncio comovido por finalmente ter conseguido entender o tamanho do amor que meu filho sente pela Natureza; e da parte dele...

...ah, ele estava simplesmente sentindo a Terra do jeito que mais gosta, sendo ela mesma!

Informações:

Link: http://www.casadaciencia.ufrj.br/exposicao/sensacoes/pages/exposicao.htm

Data: até 17 de julho

Horário: terça a sexta - 9 às 20h
sábados, domingos e feriados - 10 às 20h
fechada às segundas

Preço: GRÁTIS

DICA: Nos dias 5, 12 e 26/06 e nos dias 3, 10 e 17/07 confira também o teatro Histórias da Mãe Terra às 17h

http://www.casadaciencia.ufrj.br/Exposicao/sensacoes/divulgacao/flyer_maeterra_pro.htm

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Que cheiro é esse? Conversando sobre a hipersensibilidade sensorial em superdotados

Tudo aconteceu na escola.

E é lá mesmo que acontem os mais impactantes acontecimentos na vida de uma criança superdotada.

Pedro estava na aula de culinária - pode soar estranho um menino em uma aula de culinária, mas é que a escola pretende ensinar conceitos de matemática de uma forma mais concreta - e a aula que começou no térreo terminou no oitavo andar.

Explico: a cozinha fica no térreo, mas Pedro saiu de lá correndo, desvencilhando-se das professoras e indo parar no último andar do prédio.

O motivo? Os cheiros. Pedro contou que sentia uma mistura de cheiro de bolo, com cheiro de ovos, mais cheiro de gelatina, misturado com cheiro de fritura.

Uma mistura horrível segundo ele.

Tententei decifrar essa mistura de cheiros e concluí que, possivelmente, na cozinha das crianças, enquanto sua turma aprendia a fazer gelatina; um bolo, de outra turma, deveria estar sendo assado. Já o cheiro de fritura deveria estar vindo da cozinha que atende ao refeitório já que nesse dia o almoço teria como carne peixe à milanesa.

O resumo da história é que esta profusão de cheiros foi demais para ele.

Conincidência ou não havia lido no blog  Mães de Crianças Superdotadas um artigo sobre a sensibilidade sensorial dessas crianças.

E, de fato desde pequeno observo em Pedro uma irritabilidade quando exposto à certas circunstâncias como locais lotados, barulhentos, liquidificador, cheiro de suor, e por aí vai.

Paula Jarrard, em seu artigo "Sensory Issues in Gifted Children: Synthesis of the Literature", aproveitando o conceito da Teoria da Desintegração Positiva de Dabrowski, esclarece que essa superestimulação envolve não só fatores psicológicos, mas neurológicos, também e que há estudos demonstrando a hipersensibilidade dessas crianças ao barulho, à dor, à frustração, além de uma hipersensibilidade emocional.

Até bem pouco tempo, apesar da certeza sobre a superdotação de Pedro, não tinha idéia alguma sobre os aspectos emocionais, sensoriais e comportamentais que envolvem essas crianças.

Comportamentos de Pedro como: "desliga esse liquidificador", "eu não gosto de barulho de refogado", bem como um choro que reflete uma profunda tristeza (quase um luto) quando um brinquedo se quebra, a tamanha dificuldade de lidar com a frustração passam hoje a fazer sentido.

Denise de Souza Fleith, no artigo Altas Habilidades e Desenvolvimento Socioemocional, parte integrante do excelente livro Desenvolvimento de Talentos e Altas Habilidades faz referência a Pichowski ao explicar que os superdotados reagem ao ambiente de forma intensa e isso se dá de cinco formas:

1- Reação psicomotora- "que é vista como a capacidade de ser ativo e energético (fala rápida, impulsividade, pressão para a ação(...)";
2- Reação sensorial- referindo-se ao "prazer dos sentidos e à apreciação do belo";
3-Reação Intelectual- é aquela fome por saber mais, e mais, e mais...
4- Reação imaginativa- "manifesta pelo uso frequente de imagens e metáforas, facilidade em inventar e fantasiar, visualização detalhada, pensamento mágico, tendência à dramatização, mistura de fato com ficção (...)";
5- Reação emocional- sentimentos intensos, reações psicossomáticas, "timidez e entusiasmo, medos, ansiedades, preocupação com a morte, depressão, preocupação com os outros, sensibilidade nos relacionamentos, apego aos animais, dificuldade de se ajustar a novos ambientes, sentimentos de inadequação ou inferioridade e auto avaliação".

Eunice Soriano, em seu artigo Características sócio-emocionais do superdotado: questões atuais, vai além e afirma que, de acordo com  Dabrowsk, a desintegração positiva, essa multifacetada hipersensibilidade dos superdotados, é catalizadora de um "desenvolvimento emocional mais avançado".

Para Pedro, a overdose de cheiro foi demais, atingiu o seu ponto ótimo. O problema é que a tia do jardim de infância nem imagina que crianças como Pedro podem ser hipersensíveis ao ambiente. Mas isso fica para um outro post!

PARA SABER MAIS:

Internet:
Sensory Issues in Gifted Children: Synthesis of the Literature; Paula Jarrard

Sensibilidade Sensorial; Blog Mãe de Crianças Superdotadas

Características sócio-emocionais do superdotado: questões atuais; Eunice Soriano

Livro:
Desenvolvimento de Talentos e Altas Habilidades - Orientação a Pais e Professores; Denise de Souza Fleih e Eunice M. L. Soriano de Alencar (organizadoras); Ed. Artmed