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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Livros na Mesinha de Cabeceirinha: setembro a dezembro. Ufa!

Confesso que andava com preguiça de fazer este post: é que muitos livros andaram pela mesinha de cabeceirinha. E gibis também. 

A solução que encontrei foi reunir os livros que mais empolgaram Pedro nestes últimos meses. Muitos deles foram lidos por mim para ele antes de dormir. 

Pelo seu entusiasmo, imagino que essas histórias devem ter fomentado bons sonhos nos últimos meses.


O PEIXE PIXOTE
Sônia Junqueira
Editora Ática

O livro conta a história de um peixinho que não via graça alguma na lagoa em que morava. Até que descobre o motivo de sua insatisfação...





UMA JOANINHA DIFERENTE

Regina Célia Melo
Editora Paulinas

A história de uma joaninha diferente das outras e que não é bem aceita pelo grupo. Ela precisa da ajuda de um amigo para mostrar ao grupo que as aparências enganam. 



AJIDAR- "O DRAGÃO DA TERRA"
Marjane Satrapi
Editora Biruta

Pedro adora lendas, realidades fantásticas... Neste livro, o dragão Ajidar causa o maior reboliço na Terra ao se sacudir lá no centro do planeta, onde mora. A Terra fica uma bagunça, uma bagunça engraçada e é uma menininha quem vai até o dragão para resolver esse problema. 


PEDRO, MENINO NAVEGADOR
Lúcia Fidalgo
Editora Manati

Quando vi o título fiquei logo convencia da compra. Seria interessante mostrar para o meu Pedro outras histórias, de outros meninos, também chamados Pedro. O Pedro deste livro é o Álvares Cabral. E, através de belas ilustrações e texto, as crianças, além de conhecerem melhor este Pedro, conhecem também um pouco mais da História das Grandes Navegações.


O FILHO DA BRUXA
Marcia Kupstas
Editora Rocco Jovens Leitores

Foi através da Revista Ciência Hoje das Crianças que tivemos a oportunidade de ler um capítulo do livro. E a leitura deixou um gostinho de quero mais, o que não é raro de acontecer com os livros indicados. O menino Zacariasssss e sua histórias de filho de mãe bruxa foi um dos personagens que mais fizeram sucesso aqui em casa.

O MENINO E O TEMPO
Bia Hetzel
Editora Manati

Um menino que se angustia com a passagem do tempo, que reflete sobre a evolução, a relatividade e a transitoriedade das coisas. Bia Hetzel, que emplacou três livros de absoluto sucesso aqui em casa, certamente deve ter sido uma menina cientista. Este livro, tocou no ponto central das dúvidas existenciais do meu Pedro.



O CARACOL E A BALEIA
Julia Donaldson
Editora Cosac Naify

Uma amizade inusitada faz com que baleia e caracol saiam juntos para passear pelo mundo. E, em tempo de perigo para a baleia, é o caracol quem a ajuda. Um livro sobre amizade e proteção à natureza.





FÁBULAS DE ESOPO
Editora Paulus

Nesta coletânea estão fábulas conhecidas, coma a da Galinha dos Ovos de Ouro, e outras tantas, não tão famosas, mas igualmente encantadoras, como "Um rei para as rãs".




CONTOS DAS MIL E UMA NOITES
Editora Paulus

Outra excelente coletânea da Paulus, com histórias famosas e outras não tão conhecidas
PEIXES
SÉRIE ANIMAIS EM CASA
Editora Melhoramentos

O livro é uma manual para aquariofilistas que traz informações sobre comportamento, alimentação e cuidados. Aquisição resultante do atual interesse por peixes.





TATU BOBO
Ana Maria Machado 
Editora Salamandra

A bobeirada do tatu diverte a criançada; e aqui em casa não foi diferente!






DOROTÉIA, A CENTOPÉIA
Ana Maria Machado
Editora Salamandra

Mais um clássico de Ana Maria Machado, a centopéia Dorotéia e o seu problema nos pés emplacou por aqui também!





TARZAN
COLEÇÃO MEUS PRIMEIROS CLÁSSICOS
Editora Altea

Belíssima coleção com texto adequado para as crianças e com belas ilustrações. Além de Tarzan, Frankestein e Robinson Crusoé, desta mesma coleção, também agradaram a Pedro em cheio.





LOBO NEGRO
Antonie Guilloppé
Editora Melhoramentos

Um livro sem palavras, imagético e com uma mensagem universal. Já que envolve suspense, não falarei muito para não estragar a leitura.




PEIXES
COLEÇÃO O MUNDO FASCINANTE DOS ANIMAIS
Editora Girassol

Uma coleção que chama a atenção pelas fotos, em tamanho grande,  e pela variedade de informações. Da mesma coleção, também agradaram a Pedro os títulos Macacos, Aves de Rapina e Insetos. 






Ah, como eu ia me esquecendo: há outros livros de que gostamos tanto que acabamos criando posts exclusivos para eles ao longo destes meses:

O MISTÉRIO DO TEMPO, de Silvana Tavano





NA FLORESTA DO BICHO-PREGUIÇA, de Anouk Boisrobert






ROSALINA- A PESQUISADORA DE HOMENS, de Bia Hetzel










sábado, 30 de julho de 2011

Mamãe Escriba II: notícias sobre a alfabetização de Pedro

A última versão que Pedro fez foi para a música Passaredo, de Chico Buarque:




No programa de aniversário da Rádio Maluca ouve um sorteio e ganhamos o CD Canções de Faz de Conta do Carlos Navas, lá estão muitas músicas de Chico. Uma das que Pedrinho mais gostou foi Passaredo, mas protestou contra o fato do autor incitar os pássaros a fugirem do homem. Enquanto ouvia a música perguntava para mim:

"Mas por que isso? Eles não precisam fugir. Mas o homem sou eu!"

Daí falou:

"Mãe, a música  agora vai ser assim... Escreve pra mim?"

E ditou uma versão nova para o refrão:

Fica animado
Fica ouriçado
Cientista vem aí
Cientista vem aí

Será que Chico se importa?

Veja: Mamãe Escriba I

Mamãe Escriba: notícias sobre a alfabetização de Pedro

Uma das tarefas fundamentais para se alfabetizar munindo a criança de recursos para que se aproprie da escrita como meio efetivo de comunicação social é demonstrar para ela os recursos que os leitores/ escritores experientes utilizam. E uma das formas de se atingir este objetivo é através do ditado feito pela criança para um adulto escriba.

Foi com isso em mente que me ofereci para ser escriba de Pedro. 

Como algumas professoras definiram Pedro como "do contra", e como ele adora rimar palavras e fazer neologismos,  imaginei que acharia divertido se passássemos a brincar com as letras originais das músicas e histórias propondo finais diferentes, criando paródias, desconstruindo-as...

E não deu outra, ele gostou!

A primeira experiência começou a partir da letra da música O Sapo Não Lava o Pé:



Cantamos a música e, depois, com a letra em punho, cantamos novamente, e nos divertimos. 

O que Pedro não sabia é que havia uma surpresa: eu havia escrito uma versão para a música com o título "O Sapo não lava o pé?"!  E brincamos com ela:

O sapo não lava o pé

Porque não tem sabão

O sapo não lava o pé, não lava a boca, não lava a mão

Vá comprar sabão!

E como nos divertimos... Foi legal ver Pedro perceber que podemos usar a nossa visão diferenciada da do autor/ expositor/ professor, de uma maneira prazerosa e construtiva.

Aproveitei a chance para propor a Pedro a atividade de ditado, que era o meu objetivo inicial. Daí perguntei: "Pedro, você também quer escrever alguma coisa diferente para o sapo? Pode falar que eu escrevo. Ele topou e ditou, sem pestanejar, o texto Cocos, onde promove o encontro do sapo com o pato (dias antes havíamos cantado O Pato Pateta):

Cocos

O pato está no sino.

O pato tem um papo de sapo.

O sino é do pato.

O pato toca o sino.

O sapo toca o pato para cair do sino.

O pato gritou:

"Aaaaaaah!"

Mas o sapo gritou:

"Cocos!"

E caiu uma enchente de cocos!


Segundo Pedro, o sapo, que tentava fazer mal ao pato, acabou sendo surprendido pela enchente de cocos, a natureza cuidou dele... Depois disso, o danado do sapo passou a se comportar melhor!

Veja: Mamãe Escriba II

domingo, 3 de julho de 2011

Ainda sobre alfabetização

Ao reler o texto de ontem percebi que faltou uma conclusão.

Fiquei me perguntando: se há crianças que lêem aos 3, 4, 5 anos, por que a pré-escola não assume essa realidade e começa a trabalhar com as crianças divididas em grupos, de acordo com o seu entendimento sobre a escrita e a leitura desde então?

Separadas em grupos todos podem receber atividades desafiadoras porque estas fixam a aprendizagem do que o aluno já sabe e leva-o a conhecer o que ainda não sabe.

Ou seja, dentro de um mesmo projeto a professora pode fazer pequenas variações para a felicidade de todos.

Essa já é a recomendação para o ensino fundamental, mas perfeitamente factível para a chamada pré-alfabetização.

sábado, 2 de julho de 2011

Um papo sobre alfabetização

Pedro sempre reclamou dos exercícios de alfabetização que vinham da escola. 

A rotina do copia palavras, separa palavras, decora palavras, sempre foi acompanhada de reclamações.


Não que que não fizesse os exercícios, mas fazia-os sob protestos. Não que não os fizesse certos, é que achava-os aborrecidos.

Isso sempre me inquietou porque ele gosta muito de livros, tem um vocabulário vasto desde muito cedo, adora rimas, trava-línguas, enfim, a Língua Portuguesa nunca me pareceu que fosse uma coisa que o assustasse, pelo contrário.

Agora que Pedro está nessas "férias antecipadas porque não gosta da professora e vai mudar de escola", como ele tem anunciado feliz da vida para cada um que encontra na rua (e isso quer dizer: Pedro tem anunciado literalmente, para todos! Numa descida de elevador, por exemplo, ele resumiu todo este blog para os vizinhos!), resolvi não interromper sua alfabetização e mergulhei em algumas leituras para tentar dar conta do recado.

Já tinha uma premissa: ser lúdica e fugir da rotina. 

Tendo isso em mente recorri ao mais fácil: "A revista de quem educa" (A Nova Escola, é ótima e vendida a preço de custo). 

Lendo a revista relembrei que no processo de alfabetização a criança segue estágios que variam de acordo com aquilo que ela acha que é o adequado para se comunicar graficamente, ou seja, varia de acordo com as suas hipóteses de escrita, que são:

1- Hipótese pré-silábica: divide-se em dois estágios:

1.1- Estágio 1
Nesse primeiro estágio a criança tenta diferenciar o desenho da escrita, atribuindo letras aleatoriamente às palavras

1.2-Estágio 2
Aqui acontecem duas coisas: as crianças percebem que é preciso uma quantidade mínima de letras para que escreva algo (mínimo de três) e que é precisso que haja uma ordem interna entre as letras para que consigam ler o que escreveu. Nessa etapa a criança usa as letras aleatoreamente e sem uma quantidade definida.


2- Hipótese silábica: também divide-se em dois estágios:

2.1- Silábico sem valor sonoro
Ocorre quando a criança representa cada sílaba por uma letra qualquer, sem que corresponda ao som que ouve, por uma vogal ou consoante que represente o som enunciado.

2.2- Silábico com valor sonoro
Aqui cada sílaba é representada por uma vogal ou consoante que expressa o seu som correspondente.

3- Hipótese silábico alfabética
É um período de transição em que a criança trabalha tanto com a hipótese silábica como com a alfabética.

4- Hipótese alfabética: é a fase em que cada fonema é representado por uma letra. Nesse momento a criança ainda apresenta os erros ortográficos mas já entende a lógica da escrita.

Com a memória fresca e sabendo que modernamente não se começa mais pelo beabá, nem pelas sílabas, mas sim pelas palavras, parti para o diagnóstico, ou seja, ditei quatro palavras para Pedro, partindo das polissílabas e chegando às monossílabas, mais uma frase.

Como sabia que deveriam ser palavras diferentes das que conhece de cor, ditei o que me veio à mente. 

Não sei se escolhi palavras erradas, se ele não me levou à sério, ou se realmente era esse o seu estágio mas, por aquele ditado, feito no dia 22/06, Pedro era pré-silábico. Para a palavra PÉ, por exemplo, usou as letras "IBM".

A indicação dos manuais é de que esse ditado seja feito regularmente a cada dois meses mas, confesso, resolvi fazê-lo a cada dois dias para saber que Pedro estará partindo para a nova escola.

Assim, dia 24/06 parti para mais um ditado e nesse dia Pedro já fez uma escrita silábica sem valor sonoro. Para a palavra CABELUDO  escreveu "R/P/A/P".

O terceiro ditado aconteceu no dia 27/06 e nele Pedro escreveu de forma silábica com valor sonoro. A palavra URUBU, grafou da seguinte forma: "U/R/B".

E, finalmente, no mais recente ditado, feito no dia 29/06 Pedro escreveu como um silábico-alfabético. Foi assim que grafou LIBÉLULA: "LI/B/LU/A". 

Resumo da ópera: será que em sete dias Pedro, brincando com as letras em casa, saiu do estágio pré-silábico para o silábico-alfabético? 

Ou será que ele já estava nessa fase e a escola nem notou que o seu aborrecimento poderia ser por isso (também)? 

Será que na escola não houve espaço para que ele desse pistas do que sabe? Em casa as pistas têm aparecido. Um exemplo: ontem pedi que conferisse se todos os itens que estavam na lista do mercado foram comprados e ele conferiu palavra por palavra. 

O que percebi é que quando Pedro se viu livre do enclausulamento imposto pelas palavras a serem estudadas na escola, quando começou a se arriscar na escrita e na leitura das palavras que têm significado para ele, libertou-se da certeza do "não sei ler e escrever" e, simplesmente, começou a fazê-los. 

Para saber mais:
Revista Nova Escola