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sábado, 5 de janeiro de 2013

21 Dicas Para os Pais de Superdotados – o que você pode fazer em casa para ajudar seu filho

TEXTO MEU, POSTADO ORIGINALMENTE NO BLOG PAPO ENTRE PAIS

 
 
Recebemos volta e meia perguntas sobre o que fazer quando se mora em uma cidade pequena, sem sala de recursos na escola, ou quando o filho estuda em escola particular, portanto, sem acesso às atividades específicas para superdotados no contraturno.  O ideal seria que, em ambos os casos, as crianças tivessem acesso ao nível de educação de que necessitam para evoluir o seu alto potencial, mas a realidade é outra e, na verdade, independente dela, há muito o que se fazer em casa, na família, entre amigos e com os recursos da comunidade em prol das nossas crianças. Então, vamos às dicas, que foram baseadas em tudo o que li e em tudo o que tenho procurado fazer desde que a superdotação de meu filho foi identificada, aos cinco anos de idade:


1-CONSCIENTIZE-SE DE QUE SEU FILHO É SUPERDOTADO EM TEMPO INTEGRAL- Para melhor entendê-lo e ajudá-lo é preciso assumir isto como verdade. Não basta esperar mudanças por parte da escola apenas. A família também precisa perceber que a criança tem necessidades especiais, diferenciadas, peculiares e que estas  não podem ser negligenciadas.
 
2-ESTUDE, ESTUDE, ESTUDE- Procure informações sobre o que é a superdotação. Na internet e através de livros, pessoas de todas as regiões podem se informar. 
 
3-PROCURE COMPANHIA, NÃO SE ISOLE- Mais uma vez a internet pode ajudar: há blogs, sites, grupos de discussão, como o Papo entre Pais, que ajudam muito a encontrar pessoas que estão passando por situações semelhantes à sua.  Nas cidades maiores há também centros de atendimentos particulares e públicos, onde é possível, inclusive, reunir-se com outros pais. A vantagem de se agrupar é diminuir os erros, é queimar etapas, é facilitar a boa condução da criação de nossas crianças.
 
4-DESCUBRA QUAIS SÃO OS INTERESSES DE SEU FILHO E VALORIZE-OS-  Os interesses vão variar, mas o importante é deixar que a criança mergulhe em seu interesse. Os pais podem ajudar fornecendo leitura, material, subsídios para que ele aprofunde os seus estudos.
 
5-PERMITA QUE ELE EXPERIMENTE NOVAS COISAS- Não se assuste, pode ser que um interesse profundo diminua, ou até pareça ter acabado. O que pode ter acontecido é que seu filho simplesmente já acha que sabe o bastante. Não caia no erro de insistir que ele continue brincando com aquele kit de química que você comprou só porque ele custou R$100,00. Deixe a criança experimentar novas coisas, eles querem conhecer o mundo e a velocidade com que querem fazer isto é grande. 
 
6-FACILITE O ACESSO DA CRIANÇA À ESPECIALISTAS NAS ÁREAS DE SEU INTERESSE- Falo aqui de encontros formais ou não. Ele gosta de Biologia? Que tal um bate papo com aquele amigo do seu marido que é biólogo? Gosta de música, que tal convidar um conhecido músico para um lanche na sua casa? Os adultos adoram conversar com as crianças que têm um interesse genuíno pelas suas profissões. É um encontro engrandecedor para ambas as partes, acredite!
 
7-NÃO SE ESQUEÇA DE QUE A CRIANÇA SUERDOTADA TEM UM DUPLA DEMANDA- Estar entre os seus pares intelectuais e estar entre os seus pares em idade é muito importante. Sempre será mais difícil o segundo caso, mas é importante para que o superdotado perceba que o mundo é plural, e que na vida encontrará pessoas semelhantes, mas também bastante diferentes dele.
 
8-FAVOREÇA A BRINCADEIRA. AH, E NÃO DESISTA NA PRIMEIRA TENTATIVA FRACASSADA- O brincar nos conecta com o lúdico.  Manter-se lúdico é, no futuro, manter-se criativo. Não subestime o brincar. Aqui em casa retomamos a brincadeira  de forma tão simples e divertida que até compartilho: experimentem uma guerra de almofadas para ver a alegria em que você estará no final. E se a criança não quer brincar, pergunte-se: não quer brincar de que? Mude as opções. Veja se o seu interesse já está nas brincadeiras de idades mais avançadas. Andar de bicicleta, por exemplo, costuma agradar a quase todos e, além de tudo, cansa o corpo.
 
9-FAÇA UM POUCO DE HOMESCHOOLING- Ah, não tem jeito, pais de superdotados têm de ser um pouco autodidatas. Procure aprender mais sobre os interesses da criança, antecipe informações, descubra o que há de novo, ensine e aprenda. Foi assim que acabei me dando conta de que eu era uma Mãe de Criança Cientista!
10-FAÇA USO DOS CURSOS POR CORRESNPONDÊNCIA E ON LINE- A velha educação à distância pode ajudar muito a aprofundar os interesses.
 
11-FAÇA UM ESFORÇO PARA ENTENDER AS DEMANDA EMOCIONAIS DE SEU FILHO- Ah sim, estar no mundo de forma diferente da média traz suas inquietações, suas dúvidas, suas inseguranças, transforme-se  na pessoa em que seu filho mais confia para compartilhar esses dilemas.
 
12-LUTE PELOS DIREITOS DE SUA CRIANÇA- Tente não se calar. Com jeitinho, já seguro por saber o que a superdotação é, procure corrigir os erros de entendimento que encontrar, procure conquistar direitos e garantir que a sua criança ocupe o lugar que merece no mundo.
 
13-PROCURE ASSOCIAÇÕES POR INTERESSE- Clubes de xadrez, grupos de percussão, etc,  podem ser uma boa alternativa porque fogem da classificação por idade e reúnem as pessoas por interesses em comum.
 
14-ESTIMULE A CRIANÇA A PARTICIPAR DE CONCURSOS- Concursos, envio de cartas e desenhos para revistas, jornais, clubes de poesia... Aproxime seu filho do seu interesse. Incentive a escola a participar de olimpíadas, concursos e projetos que exigem a inscrição via escola.
 
15-DÊ NOME AO QUE SEU FILHO SENTE, NÃO ESCONDA DELE QUE TEM ALTO POTENCIAL- É importante que a criança saiba o que está acontecendo, porque ela se sente diferente. Isso lhe dá segurança. É importante também para que ela aprenda a ética de não utilizar essa sua condição para subestimar os outros.
 
16-ENSINE O SEU FILHO A SE DEFENDER DOS APELIDOS INOFENSIVOS- Os apelidinhos que grudam feito chiclete são, na verdade depreciativos. Não finja que não ouviu, não ensine o seu filho a tolerá-los. Uma conversa com a escola é bem vinda caso os apelidos ocorram lá.
17-ESTIMULE A AMIZADE- Chame os amiguinhos para a sua casa, estimule as amizades porque elas dão suporte emocional nos momentos em que você não está por perto.
 
18-LEIA BIBLIOGRAFIAS- Na sua cidade não há outros superdotados? Tudo bem! Procure livros infanto-juvenis com a bibliografia de superdotados e gênios como Da Vinci. Ah, e sobre os livros em geral, permita que seu filho tenha acesso a livros de diferentes faixas etárias. Ah, e sobre a leitura, não subestime as bancas de jornal, lá você encontra ótimas leituras por um preço mais acessível.
19-SEJA AMIGO DA ESCOLA- É preciso ter paciência. A superdotação é um assunto que poucos dominam. Então, o ideal é perceber se há alguma flexibilidade por parte da escola quanto ao assunto. Se sim, esse será um ambiente mais fácil de se lidar. Havendo diálogo é possível propor diversas atividades que serão boas para todos. Uma delas é: que tal o seu filhote poder contar para a turma tudo o que sabe sobre os dinossauros, ou as estrelas? A figura do monitor também costuma ser bem aceita pelas escolas. Um movimento importante é perceber se escola tem interesse em saber mais sobre o assunto, se quer dicas de leitura por exemplo Cada caso será um caso, a sua sensibilidade é  que vai dizer até onde será possível avançar, mas NÃO TENHA MEDO DE TENTAR!
 
20-PROGRAME VIAGENS E PASSEIOS DE ACORDO COM O INTERESSE DA CRIANÇA- Passeios e viagens são formas maravilhosas de aprendizagem, eles gostam muito. Aproveite o verão e ponha o pé na rua! As crianças agradecem!
 
21-E, POR FIM, CRIATIVE-SE! Pais de superdotados são compelidos a inventar soluções, a fazer diferente, a abrir novos caminhos... Inove e, não se esqueça, conte tudo pra gente!

domingo, 16 de dezembro de 2012

O estudo da música e os benefícios para as crianças.

As escolas atualmente têm a música como parte de sua grade curricular, seja como disciplina ou como tema transversal.

Mas optar por uma iniciação musical fora da escola demonstrou-se, no caso de Pedro, uma excelente opção: concentração, persistência, improvisação, ludicidade, coordenação são algumas das competências desenvolvidas.

Estudos falam ainda que capacidades como autodisciplina, paciência, persistência, flexibilidade,sensibilidade, capacidade de memorização, habilidade para ouvir são estimuladas em crianças que estudam música.




ONDE ESTUDAR:

Conservatório Brasileiro de Música/ Matriz
Oficina de Musicalização
Sábados de 9h às 11h
Av. Graça Aranha, 57/ 12º andar- Centro
Telefone: 3478-7600

Conservatório Brasileiro de Música/ Filial Tijuca
Curso Fundamental (1ª à 8ª série)
Rua Padre Elias Gorayeb, 15 – Tijuca
Telefone: 2238-3858

Escola Villa Lobos
Rua Ramalho Ortigão, 9 - Centro
Telefone: 2232-6405 • 2224-2116

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A longa vida escolar de um menino de 5 anos- Parte 6: a busca pela nova escola

EPISÓDIO 1
A ESCOLA COM BOAS RECOMENDAÇÕES

A verdade é que eu não sabia que a Parte 6 da Longa Vida Escolar de um Menino de 5 Anos receberia  o título acima. 

Jamais pensei que haveria uma busca por novas escolas. 

Ingenuamente, imaginava eu que ir até a escola recomendada por pessoas de minha confiança, ligadas à educação, realizar a entrevista, pagar e aguardar o início do ano letivo seria o suficiente. Mas não foi.  

A visita à escola recomendada como sendo a ideal para Pedro, por ser perto de casa, por ter uma proposta construtivista, foi feita primeiramente por mim. E devo confessar que, durante a visita, meu coração pulsava fortemente por estar novamente dentro de uma escola. 

E no momento daquela visita foi inevitável: eu relembrei as narrativas feitas no blog O Curioso Caso de Rafael Valmont . Eu me vi, ali, como aquele pai que faz de tudo para se controlar e não falar demais, o que pode levá-lo a chorar (mais uma vez) diante de estranhos. 

Sendo mais precisa ainda o fato é que eu mesma chorei. Chorei sem querer chorar e isso é realmente desconfortável. Mas o choro ficou para o final, quando rememorei a história de Pedro. 

Mas antes do choro pude percorrer as instalações da escola. Então, vamos à ela: eu esperava muito mais da Escola Recomendada. Esperava não só a metodologia, mas também uma infraestrutura a contento. A verdade é que eu tive que superar, rapidamente, a minha decepção quanto à segunda parte. O que vi foi uma escola, fazendo uso de um termo atual, precisando de modernização de seu espaço físico. Mas isso não poderia me abater, afinal de contas tratava-se da Escola Recomendada e eu estava decidida a matricular Pedro nela.

A segunda etapa do processo seletivo nessa escola foi cumprida por Pedro: no dia seguinte à minha visita ele foi para uma manhã de convivência. O problema é que o que eu tentei mascarar para mim mesma ficou evidente demais para ele, que deu a sua sentença para a professora e para mim: 

"Vocês dizem que gostam da Natureza  mas a escola não tem nem um jardim direito. A escola tá suja, o banheiro tá sujo e eu não gostei daqui."

Eu ( em pensamento) concordei com ele, mas nessa hora pensei: 

"Será que não dá para mentir só de vez em quando?"



Nem preciso dizer que a escola telefonou dizendo que infelizmente não poderia receber Pedro este ano. Se bem que ele já não iria mesmo!



EPISÓDIO 2
AS OUTRAS DUAS ESCOLAS TAMBÉM BEM RECOMENDADAS

Diante do inesperado fracasso junto à Escola Recomendada, parti eu ( não se esqueçam de que meu marido estava em casa com o pé para o alto prestes a ser operado) para as outras duas escolas sobre as quais eu tinha boas notícias. A primeira delas é conhecida pelo seu caráter democrático e a segunda pela inclusão.


Pedro apaixonou-se pela escola Escola Democrática, gostou do que viu. Ao sair da convivência afirmou, que era nela que queria estudar!

O problema com essa escola foi quando entrei no assunto necessidade educacional especial. Para não cair na armadilha do choro, dessa vez fui bem sucinta mas, mesmo usando essa estratégia,  percebia que a cada palavra minha a coordenadora arregalava os olhos e parecia pensar: 

"O que eu vou fazer para me livrar dessa mala, quer dizer, mulher?".

A coordenadora  me deixou sozinha na sala por uns 30 minutos. Depois voltou como uma lista com muitos nomes e disse que a turma estava cheia. Eu até retruquei: 

"Mas como? Eu liguei antes para saber se havia vaga?" 

Ela então afirmou:

"Quem sabe se abrirem uma nova turma... Ligue em janeiro... Somos um escola inclusiva e democrática..." 

E eu liguei. Foi quando descobri que a coordenadora mentiu, a escola tem duas turmas para a série que procurávamos. O que faltou foi a coragem para dizer não.



Após passar pela Escola Democrática mais um item foi acrescentado à minha lista de problemas: 

PROBLEMA Nº1) Marido por operar;
PROBLEMA Nº2) Filho sem escola 
PROBLEMA Nº3) Filho sem escola e acreditando que haveria alguma chance de estudar na escola de que gostou. 

Belo final de ano foi esse o meu...

E foi no apagar das luzes de 2011 que cheguei à escola conhecida pela inclusão. A Escola Inclusiva me recebeu para uma entrevista e a primeira pergunta da triagem foi: 

"O aluno tem necessidade especial? Por que se for o caso, nós não temos vagas." 

Pronto, daí o blog me veio novamente à cabeça, porque desatei a chorar. 

Bem, já volto a falar sobre a estrevista, é que antes preciso dizer que não foi à toa que usei o termo triagem. O que percebi é que já no primeiro ano do ensino fundamental, apesar das escolas, em sua maioria não utilizarem provas para selecionar novos alunos, o chamado dia de vivência, em muitas das escolas que visitei (mas não em todas), funciona como uma verdadeira  triagem, onde o foco está muito mais na verificação da adaptabilidade do pretendente ao sistema daquela escola do que na avaliação do nível de aprendizagem do aluno.

Bem, eu parei no meu choro, né? 

É...Essa entrevista foi interessante...

Assim como na Escola Democrática, a entrevista na Escola Inclusiva foi coletiva. E, se na primeira a coordenadora do meio em diante da conversa passou a dar atenção apenas à segunda mãe, devo reconhecer que na Escola Inclusiva, as duas mães foram tratadas com o mesmo respeito. 

Éramos duas mães aflitas ali naquela sala: ela por ser professora da rede pública e não ter dinheiro para matricular a sua filha em uma escola particular. A professora, angustiada pela vontade de ver sua filha em uma boa escola unia-se a mim pelo desejo de ter o que parecia tão intangível naquele momento: uma escola para os nossos filhos. 

Mas, se por um lado havia algo que nos unia, por outro, eu e aquela mãe  estávamos em situações extremamente distantes: ela ofereceu-se para trabalhar na escola em troca da educação da filha. E eu, mesmo com o cheque pronto para ser assinado, não tinha nenhuma probabilidade de conseguir a vaga. Saí da escola com a promessa de uma nova entrevista. Dependendo do caso, quem sabe, surgiria a vaga...

Dois dias depois lá estava eu na Escola Inclusiva. Consegui contar a história de Pedro sem maiores emoções e a pessoa que me atendeu foi de uma sinceridade rodrigueana: 

"É muito difícil incluir essas crianças (superdotadas). Elas exigem trabalho extra da professora... Se o caso do seu filho ainda fosse de o de uma criança com o ritmo mais lento que as demais... Aí fica mais fácil incluir porque basta estimulá-la em separado...Uma turma com mais de duas crianças assim enlouquece a professora, não é fácil. Para você ter uma idéia, nós aqui só abrimos duas vagas para o primeiro ano do Fundamental em 2012. Estabelecemos como padrão incluir apenas dois por turma, para termos condição de atender bem. As pessoas chegam aqui cedo, meses antes do final do ano. Já é tarde demais."



Ouvindo isso, e concordando que é preciso sim um trabalho extra com o aluno SD, que ele exige mais da escola e contrapondo isso ao fato da escola só incluir dois alunos com necessidade educacional  especial  em cada turma, comecei a formar o meu juízo de valor:

1- A disponibilidade para incluir, até mesmo nas escolas com tradição no tema, é bastante restrita;
2- As escolas com maior tradição em inclusão (dentre as que eu visitei) foram as que aparentaram menor cuidado com a preservação de seus imóveis;
3- E eu, que sempre busquei escolas espaçosas e com boa infraestrutura, teria que desconstruir o meu modelo de escola ideal ou, quem sabe, teria que aprender a lidar com a tal escola apenas boa o bastante, como bem descreve o pai Jota, no blog Papo entre Pais! Isso se eu a encontrasse, é claro....



EPISÓDIO 3
A ESCOLA CONSTRUTIVISTA PARA INGLÊS VER


Ainda presa aos sonhos das escolas bonitas, e grandes e com laboratórios, etc, etc, etc, e inclusivas, parti para uma bonita e construtivista escola.  Primeiro fui sozinha e achei tudo muito lindo e encantador. Marcamos uma visita com Pedro. O problema com essa escola foi descobrir, ao longo da convivência, que em sala de aula esta escola era  tão construtivista quanto tradicional das escolas.  Foi duro desistir desta escola que era apenas um castelo de areia.



EPISÓDIO 4
A ESCOLA MONTESSORIANA


Buscando alternativas visitei uma escola montessoriana. Mas não consegui imaginar Pedro dentro de uma sala de aula com essa metodologia. Apesar do mote inicial ser sedutor, há uma questão que se imporia de imediato: lá não se pode falar alto, lá não se pode correr fora de hora. Caso a criança, depois de introjetada essa regra, a descumpra,  perde direitos como, por exemplo, o de deixar de ir a uma aula.


Acho que Pedro ficaria tão fixado nesse padrão de comportamento que esqueceria todo o resto da escola. Não daria certo. 



EPISÓDIO 5
AS ESCOLAS BEM MAIS DISTANTES DE CASA

Embalados pela promessa de uma metodologia própria e inovadora dirigimos durante quarenta minutos para conhecer a Escola com Metologia Própria e Inovadora. Durante o trajeto Pedro perguntou se precisaria viajar para ir à escola, o que já me desanimou um pouco. Mas nada como uma boa metodologia para compensar tudo isto. 



Chegamos à  Escola com Metologia Própria e Inovadora e rapidamente saímos: não foi possível falar com ninguém da equipe pedagógica. A escola estava sendo utilizada para uma colônia de férias e não poderia ser visitada. Ficamos a ver navios mas, se quiséssemos, poderíamos matriculá-lo assim mesmo. Acho que faltou prever a visitação neste modelo inovador de escola.

Para não perdermos a viagem, decidimos ir um pouco mais longe, fomos até a escola que, cá entre nós, era a minha predileta: muito quintal, árvores, bichos, proposta construtivista de verdade... Essa era, a meu ver, a Escola Ideal!






Ao chegarmos à Escola Ideal, confesso que fiquei um pouco frustada logo de partida: o que vi foi um muro meio que abandonado,  plantas ressecadas....

Mesmo assim resolvi tocar o interfone...

...mas não havia botão....

A Escola Ideal havia fechado as suas portas. Ela não exitia, ela não existia mais... A Escola Ideal não existia mais!

E eu? Eu fiquei diante daquele Nada de Escola, atônita, buscando chão para pisar, buscando forças para recomeçar...

Naquele momento acho que eu quase morri, uma morte de 3 ou 4 segundos apenas, e acho isso porque vi a longa vida escolar de Pedro passar diante de meus olhos, como se fosse um  flash.

Só que uma buzina me acordou, e era meu pai, precisávamos ir adiante. Afinal de contas já era 23 de dezembro e as crianças (Pedro e os primos) ainda não tinham presentes, e o meu marido, continuava mal, prestes a operar.

O período das Boas Festas, nem preciso dizer, não foi exatamente bom. A boa notícia foi que correu tudo bem com a cirurgia. O que já foi muita coisa. Mas o pessimismo estava lá, junto comigo e, desculpem se neste momento não estou sendo políticamente correta, mas para 2011 eu disse: 

"Já vai tarde!".



EPISÓDIO 6
A MUDANÇA DE PARADIGMA: BUSCANDO INFORMAÇÕES JUNTO AOS DEMAIS GRUPOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS



"Eu estou exausta. Já procurei por todas as escolas da minha região e não consegui nada. Eles falam que as escolas têm que incluir? O que encontrei foram apenas escolas exclusivas..."




A fala acima não é minha é da mãe de uma criança autista. Trouxe ela para cá porque acho que pais de crianças com necessidades educacionais especiais, em algum momento, já tiveram esse sentimento de exaustão, em maior ou menor grau. E era assim que eu estava nos primeiros dias de janeiro.

Comecei 2012 disposta a buscar informações junto aos outros grupos com necessidades educacionais especiais. O meu objetivo era o de conhecer nomes de escolas com alguma chance de diálogo sobre inclusão. Isto porque eu estava decida a fugir das escolas que são nota mil em infraestrutura e nota zero em diálogo; isto porque eu estava disposta a fugir das escola sque estão tão envaidecidas e embevecidas pelo quanto são ricas, ou belas, ou cotadas pela mídia, que se esquecem de ouvir e enxergar, de fato, o aluno ;isto porque o que eu buscava para 2012 era o diálogo desde o primeiro momento.

Nessa busca achei muita informação importante que pretendo compartilhar aqui. Foi nessa busca que achei um novo ponto de partida, novas possibilidades, diferentes opções de escolas, o que fica para uma próxima postagem.










quinta-feira, 15 de setembro de 2011

É hora de brincar: a longa vida escolar de um menino de 5 anos - parte 5

"E o Pedro? Dê notícias..."

Custei a voltar a falar sobre Pedro na escola. É que vivíamos um impasse que começou desde a retirada dele da última escola: o que faríamos no segundo semestre de 2011?

Pedro voltaria ou não para a escola?

Por um lado pensávamos: mas ele vai para a escola desde os dois anos, mas ele é tão inteligente, mas há tanto o que aprender na escola... 

Mas, por outro, pensávamos: ele foi para a escola tão cedo; a maior parte do seu tempo esteve voltada para atividades dirigidas; o tempo que sobrou para a brincadeira espontânea foi pequeno; o Jardim de Infância nas escolas que escolhemos estavam mais voltados para o acúmulo de informações e atividades extras (e achávamos ser esta a melhor escolha devido ao desenvolvimento precoce de Pedro); o Jardim 3 atual está cada vez mais esvaziado de sua função (de brincar) para se tornar um preparatório para o primeiro ano do Ensino Fundamental e, principalmente, que esta seria a quinta vez que Pedro entraria em uma turma já começada, já enturmada e teria que tentar conquistar o seu espaço no grupo. E esta situação se daria após uma saída  recente e traumática da última escola, saída desencadeadora de uma série de comportamentos desesperados.

Ponderando, ponderando, ponderando, decidimos que o melhor é que Pedro volte para a escola só em 2012.  

De início fiquei muito desconfortável com essa escolha, mas hoje, dia após dia, vejo ele voltando ao seu estado original de afetividade, de atenção, de curiosidade. Tanto que me animei a escrever.

Aqui em casa é tempo de brincar, de passear, de aprender através de formas menos convencionais. Vivemos uma espécie de homeschooling.

Os resultados desta escolha? Só em 2012 poderei compartilhar com vocês.

Torçam por nós!

A LONGA VIDA ESCOLAR DE UM MENINO DE 5 ANOS:


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A Receita para descobrir um superdotado


Neste excelente texto, Maria Lúcia Sabatella traz perguntas e respostas para as primeiras dúvidas que pegam de assalto os pais dos superdotados.  



"Pais, professores e médicos precisam de preparo e informação para identificar crianças com talentos especiais"

A receita para descobrir um superdotado
Uma criança de pouco mais de um ano, que mal consegue falar, é levada ao Instituto para Otimização da Aprendizagem (Inodap), em Curitiba. Os pais estão surpresos com o bebê, que já sabe todas as letras do alfabeto. Ele aponta para a letra “p” de um joguinho de blocos e diz “papai”. A pesquisadora Maria Lúcia Prado Sabatella, que atende o casal, pega o bloco com a letra “m” e arrasta para o bebê do outro lado da mesa.“É ‘m’ de mamãe?”, pergunta à criança, que responde: “w”. Só depois de alguns instantes, os adultos percebem que o “m” estava virado de ponta-cabeça em relação ao bebê, que via mesmo um “w”. Assim são os superdotados: surpreendentes. É gente brilhante, em diferentes áreas, cada um desempenhando o seu melhor – bem acima da média.A consultora e pesquisadora Maria Lúcia Prado Sabatella é mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná, especializada na área de Superdotação e Talento. Delegada do Brasil no Conselho Mundial para Crianças Superdotadas e Talentosas, ela acaba de lançar o livro Talento e Superdotação: Problema ou Solução?, pela Editora IBPEX, e fala mais sobre o tema de seus estudos.

O que define um superdotado?
Superdotado é aquele indivíduo que tem uma ou mais habilidades expressivamente acima da média em algum campo do saber ou do fazer. São pessoas normais, mas não são comuns.

Os superdotados são poucos?
Não há uma estatística brasileira, pois em nosso país não fazemos identificação nas escolas. A Organização Mundial da Saúde estima que 3,5% a 5% da população mundial seja superdotada. No entanto, esse dado se baseia apenas em testes de Q.I. (Quociente de Inteligência), que é um dos instrumentos utilizados na identificação de superdotados e testa somente as áreas acadêmicas da inteligência – lógica e verbal. O Garrincha, por exemplo, foi considerado praticamente um débil mental em um teste de Q.I., mas era, evidentemente, um atleta brilhante, um superdotado psicomotor. Assim, quando são incluídas as demais áreas da inteligência, que podem envolver habilidades como liderança, capacidade de mediação, argumentação e criatividade, o número de pessoas superdotadas pode subir para cerca de 12%.

Nesse exemplo do futebol, superdotação é o que se chama usualmente de talento?
Na literatura costuma-se encontrar a referência a “superdotados e talentosos” evidenciando que de forma implícita o talento designa habilidades nas artes e atividades corporais, enquanto o termo superdotado é aplicado às pessoas com grandes habilidades intelectuais e acadêmicas. Indivíduos superdotados destacam-se em uma área ou em um grupo delas independentemente da categorização de sua habilidade.

E os gênios?
Geralmente, quando se fala de superdotado, faz-se uma correlação imediata com o gênio. Mas o gênio é aquele que contribui com a humanidade, que perdura por gerações. O gênio quebra paradigmas e conceitos previamente estabelecidos, como o Einstein. Todo gênio é um superdotado, mas nem todo superdotado é um gênio. A genialidade é o nível mais alto de superdotação.

O que os pais devem fazer ao identificar a superdotação no filho?
Tem que procurar bibliografia e ajuda de profissionais especializados, conversar com outros pais de superdotados. No Instituto para Otimização da Aprendizagem, que presido, fazemos grupos com os pais a cada semestre e a troca de experiências é muito rica. Os pais de superdotados se sentem marginalizados e relutam em falar sobre os progressos dos seus filhos. É importante que os pais tenham consciência de que se trata de uma criança especial e que se informem a respeito. Quando nasce um filho com Síndrome de Down, por exemplo, os pais correm a se preparar para essa condição e o mesmo deve ser feito se a criança é superdotada. Isso passa também pela escola, onde os professores devem ser esclarecidos sobre o tema.

As escolas estão preparadas para os superdotados?Infelizmente, não. Apesar de a Lei de Diretrizes e Bases, de 1996, tratar da educação especial, não só para as pessoas com deficiência, geralmente enquadradas nesse tipo de educação, mas também para os superdotados. E eles não são tão poucos. Analisando a população escolar, pode-se dizer que, em cada sala de aula, há uma ou duas crianças superdotadas. Muitas vezes, são justamente aquelas que ficam inquietas e fazem bagunça, porque já terminaram as tarefas, ou porque não precisam copiar nada do quadro, já que têm tudo memorizado. O superdotado precisa de mais desafios. O professor pode sugerir atividades que enriqueçam e aprofundem o conhecimento e poderá se surpreender com os resultados. Um superdotado, na sala de aula, pode favorecer um ensino de maior qualidade para todos os alunos. Se estiverem estudando, por exemplo, os afluentes do Rio Amazonas, o professor pode sugerir que os alunos que tiverem vontade pesquisem e se aprofundem na cultura amazonense, por exemplo. Fizeram isso em uma escola e tiveram que abrir um museu sobre a região Amazônica, tamanha a pesquisa feita pelos alunos. O estímulo serviu para mostrar que todos os alunos produzem mais quando há incentivo e interesse. No entanto, via de regra, o professor, o psicólogo ou o médico não estão preparados para identificar e lidar com os superdotados.

Nem mesmo os médicos?
Muitas das “características” do superdotado são muito semelhantes aos comportamentos apresentados como sintomas da hiperatividade e do déficit de atenção,que estão tão em moda. Se a criança começa a perguntar demais, interrompe a aula, não copia a agenda ou completa tarefas, muitos professores têm indicado que os pais procurem um médico sugerindo que o filho é hiperativo. Não é competência dos professores fazer diagnóstico e essa atitude tem levado muitas crianças apenas curiosas, saudáveis e que aprendem com mais rapidez, a serem medicadas como hiperativas. Tudo acaba sendo resolvido na base da “babá-química”. O aconselhável é investigar o potencial do aluno que apresenta as características de que falamos, antes de se pensar em diagnóstico.

A superdotação é inata? Há alguma relação com a classe social?
Nem uma coisa nem outra. De fato, há um componente genético. Geralmente, indivíduos superdotados vêm de famílias que apresentam essa mesma característica. Mas não é algo inato, já que, se assim fosse, todas as pessoas de determinada família que possui superdotados seriam igualmente brilhantes. E isso não acontece. Há o componente externo, os estímulos, a interação com o meio. E aí eu dou um exemplo de como a superdotação não tem nada a ver com a classe social. Eu já vi uma criança de cinco anos, moradora de assentamento sem-terra, que me explicou corretamente temas como o Produto Interno Bruto do Brasil e a inflação do país. Como ele aprendeu isso? Com as páginas de jornais velhos que eus pais lhe davam para pintar. Mas assim como a inteligência não tem classe social, ela é amoral. Essa criança do assentamento optou pelo caderno de economia do jornal. Mas ele poderia ter preferido ler algo que lhe aguçasse o interesse por coisas erradas. Ou seja, a inteligência pode ser mal direcionada. O Fernandinho Beira-Mar, por exemplo. Ele é brilhante. Tanto que, mesmo preso, continua comandado sua facção criminosa e ninguém consegue impedir isso. Dá para colocar o corpo atrás das grades, mas a cabeça não. Ele é uma das muitas pessoas brilhantes mal direcionadas. Por isso, é importante haver estímulos positivos, sobretudo às crianças superdotadas.

Em tempos de tecnologias como a internet, esses jovens não são superestimulados?
Tudo o que é exagerado é ruim e isso não tem a ver com a internet ou os videogames. Assim como a criança que não sai da frente do computador, aquela que fica afundada nos livros, sem fazer outra coisa, também não está se desenvolvendo adequadamente. É importante que a família estimule tudo, inclusive atividades que tirem a criança de casa. Mas eu acho que essa geração que cresce entre computadores se desenvolve mais rapidamente e isso é positivo. Eu costumo dizer que, havendo dúvida se a criança é ou não superdotada, o melhor a se fazer é criá-la como superdotada, ou seja, estimulá-la constantemente. Às vezes eu ouço dizerem que uma criança de 4 anos, por exemplo, é muito nova para ir à escola. Como assim? Vá na favela ver se crianças com essa idade já não trabalham como olheiras para os traficantes. Se podem fazer isso, podem ir para a escola!

Se essa criança não for educada da maneira adequada, ela pode perder o talento?
Ela pode não desenvolver seu máximo e isso, sobretudo para alguém com potencial, é frustrante. Por falar em frustração, é importante que os pais não criem expectativas demais sobre a criança. Não é por ser superdotada que ela não pode ir mal escola, ou tirar uma nota baixa. Superdotado não é perfeito. Como eu disse no início, o superdotado não é comum, mas é normal.

Como identificar um superdotado?
A superdotação é mais fácil de ser identificada na infância e adolescência. Por isso, pais e professores devem ficar atentos a algumas características que podem evidenciar o brilhantismo dos jovens. 

A criança pode ser superdotada se:
1. Apresenta muita facilidade na escola, a ponto de incomodar os professores por não se sentir suficientemente desafiado;
2. Tem uma grande sensibilidade, não é vingativa e não responde a agressões;
3. É muito curiosa e pergunta insistentemente sobre um mais temas específicos;
4. Memoriza com facilidade, especialmente detalhes, como a cor da meia que o avô usava na ceia de Natal do ano retrasado;
5. Preocupa-se muito com tudo, por conseguir analisar as conseqüências das coisas. Se o pai diz que teve uma discussão no trabalho, o superdotado pode chegar à conclusão que vai passar fome, já que o pai perderá o emprego;
6. Faz tudo com muita intensidade, dedica-se por inteiro ao que se propõe, seja nos estudos, seja no amor, por exemplo;
7. Tem um senso de humor adulto, geralmente irônico ou sarcástico;
8. Faz interpretações literais. Se ela está brincando no jardim e a mãe pede que “saia do sol”, pode responder: “mas eu estou na Terra”;
9. Possui um vocabulário extenso para sua idade, pronuncia as palavras com correção e observa a concordância ao falar.

Fonte: Dra. Maria Lúcia Prado Sabatella" do Instituto para Otimização da Aprendizagem - Inodap - é uma ONG que atende crianças e adultos superdotados, com acompanhamento familiar e escolar. Informações pelo telefone (41) 3343-3448 
Dica de Flor!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A tirinha que emocionou o mundo


Quando vc era bem pequeno(a)...




...eles gastavam horas lhe ensinando a usar talheres nas refeições...





... ensinando você a se vestir, amarrar os cadarços dos sapatos, fechar os botões da camisa..


Limpando-o quando você sujava suas fraldas lhe ensinando a lavar o rosto a se banhar a pentear seus cabelos...




...lhe ensinando valores humanos...









Por isso...


...quando eles ficarem velhos um dia...e seria bom que todos pudessem chegar até aí (não preciso explicar...não é?)


....quando eles começarem a ficar mais esquecidos e demorarem a responder...


...não se chateie com eles....


....quando eles começarem a esquecer de fechar botões da camisa, de amarrar cadarços de sapato...

...quando eles começarem a se sujar nas refeições...


...quando as mãos deles começarem a tremer enquanto penteiam cabelo...


...por favor, não os apresse...porque você está crescendo aos poucos, e eles envelhecendo...

....basta sua presença... sua paciência... sua generosidade... sua retribuição...


....para que os corações deles fiquem aquecidos...


...se um dia eles não conseguirem se equilibrar ou caminhar direito...


...segure firme as mãos deles e os acompanhe bem devagar respeitando o ritmo deles durante a caminhada... da mesma forma como eles respeitaram o seu ritmo quando lhe ensinaram a andar...


fique perto deles...assim como....


...eles sempre estiveram presentes em sua vida, sofrendo por você... torcendo por você...

e vivendo "POR VOCÊ"




"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO" (Max Gehringer)"

Essa preciosa tirinha foi compartilhada via e-mail pela Jenny, que é autora do blog Aprendizagem Digital. Também o seu filho, Andre, de 8 anos, tem um blog cheio de dicas para a garotada. Confiram o Blog do André!

E como nossas crianças costumam ser muito atentas à questões de moral, justiça e solidariedade acho que vão curtir a tirinha.




O poema de Júlia

Júlia tem 6 aninhos. Anda ultimamente arrebatada por uma angústia: ela, que sempre estudou pela manhã, não está muito feliz com a troca de turno. Mas o que a assalta é algo maior do que o incômodo de estudar à tarde. Sobre este sentimento Julia escreveu um poema:


A música -poema da Júlia:

Vou olhar a vida na sacada
Corre para o colchão
já é hora de dormir
porque para você, você pensa que as horas
passam rápido
mas pra mim é diferente:
as horas passam devagar...
é uma brincando
é uma correndo
e uma hora sai do lugar

As horas quebram de amor
as horas tem amor
tudo tem amor na vida

Quando você chega em casa
dá aquele sorriso teu
meu coração bate bateu
eu não consigo nem falar
mas não sou eu que sinto isso
é o meu coração que sente isso

Ele consegue bater bater bater
toda hora
mas quando bate rápido é que está
com amor dentro dele
Ele é assim
ele é assim

As horas passam devagar para mim
da sacada eu olho
que não é um dia mais legal do que o outro
Quando eu abro a janela
tem um lindo dia de novo
tem um lindo dia de novo
tem um lindo dia...
para o amor.

Júlia 6 anos



A história completa do poema está lá no Abrindo Clareiras, o blog da Ana Paula.

Cala a boca já morreu. Será?

"Cala a boca!


Sai daqui!


Cala a boca, p.! 
(o p. é um palavrão!)


Sai daqui!


Engole o choro!


Se não comer tudo vai apanhar!


Sai daqui!


Se continuar vai ficar de joelhos!


Sai da minha cozinha, vai para o seu quarto!


Sai daqui!(tapa)


NÃO GRITEM! (gritando...)


Vai dormir de rabo quente!


Sai daqui!


ANDA, VAI DORMIR!!! 
(ainda gritando, logo após dá uma palmada. Em seguida a criança chora)


Sai daqui!


ABRE ESSA PORTA, P.!
(e a criança responde: "Não vou abrir, você vai bater em mim!" Ah, o P. é aquele mesmo palavrão!)


Sai daqui!"





Essas frases, de uma certa forma, fazem parte de minha rotina e me incomodam. 

Eu as ouço quando estou em minha cozinha, às vezes também é possível ouví-las quando estou no quarto de Pedro.

São frases ditas numa casa com duas crianças e um bebê.

Com o bebê, que deve estar beirando os 12 meses, pouco falam. Minto, para não ser injusta ouvi uma canção da Xuxa sendo cantada há alguns meses atrás. Era a babá. Mas a moça se foi em pouco tempo e nunca mais ouvi canções. Ah, também ouvi um adulto falando com voz infantil:

"Se fizer cocô na calça vai levar uma porradinha!"

O contraste da voz infantilizada com o conteúdo da mensagem soou-me como um dos maiores deboches que já ouvi na vida.

Essas vozes, quando me é possível ouvi-las, me assustam e sobressaltam. Uma vez Pedro falou: 

"Não mamãe, não é o pai deles que está falando não, é um monstro."

Sei que este não é o tema deste blog,  mas de uma certa maneira, quando a gente fala sobre um grupo de crianças está falando sobre todas elas.


Já pensei em mandar para esta família o Limite sem Traumas da Tania Zagury, mas não tenho intimidade, seria um insulto (Olha ele aí novamente!). Mas não é insulto o que essas crianças vivem também? Recorrendo  à revista Psique encontrei: 


"Os insultos, os nomes injuriosos, o isolamento forçado, a rejeição, as ameaças, a indiferença emocional e as humilhações representam formas de volência psicológica capazes de prejudicar o desenvolvimento da criança, sobretudo se vierem de um dos pais ou de alguém querido."

A gente às vezes cai na armadilha de achar que as famílias são como as dos comerciais de margarina, felizes e sorridentes, mas o infortúnio também pode morar ao nosso lado e mal nos darmos conta disso!

Para ler a matéria Infância sem Trauma da Revista Psique, clique aqui.




segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Aniversariando

Este mês foi o aniversário da Victória.

Victória é a prima de Pedro. Victor também.

Foi uma festinha surpresa, no meio de uma tarde de sexta-feira. Teve bolo, salgadinhos, presentinho; tudo o que uma festinha íntima deve ter.

Mas a comemoração dos anos de Victória fez soar o meu alarme: em janeiro Pedro fará 6 anos!

E, como os aniversários de Pedro sempre são sobre um tema sobre o qual ele está profundamente interessado, é preciso um pouco de empenho de minha parte.

Pedro já comemorou seu aniversário de diferentes formas e, para ele, que prefere os sons da natureza aos burburinhos de muitas vozes, o tamanho da festa não é o que faz a diferença, mas sim, o empenho nos detalhes.

O seu primeiro ano comemoramos com o tema Fazendinha. E parece que eu estava adivinhando e caprichei nos detalhes: pedi pra tia e artista-plástica Nanda Franco fazer um espantalho para o bolo horta e caprichamos nos espantalhinhos da festa.





Os mais chegados foram para casa com canequinha de ágata, bolinho de fubá e café em punho. O primeiro aninho deixa saudades, né?!

Já no segundo aninho, como Pedro era apaixonado por carros e sua mecânica, parti para a festinha Carros do Pedro. E a festinha foi em nossa casa. Tínhamos acabado de nos mudar para cá (para a tal rua que é uma ladeira) e receber tios, tias, primos, primas, avós, foi muito especial.

Única foto que restou depois do computador pifar


Meu empenho nesse ano ficou em dar à casa um clima de festa e, para isso, espalhei fotos de Pedro e da família e transformei seus carros em protaganistas de uma mesinha de aniversário de dois anos bem legal!

Já maiorzinho, Pedro comemorou os seus três anos com os amigos, na escola, além dos pais e avós. E, como nesse período a paixão eram as motos, Pedro ganhou uma Festa das Motos, com direito a capacete e tudo. Afinal de contas, nesse período, só queria ser chamado de motoqueiro!

Acima das letras dois buracos feitos pelos dedinhos ansiosos de Pedro. Ele não gosta de bolo, mas adora glacê!



Aos quatro aninhos um Pedro piloto Hot Wheels recebeu todos os seu amigos (literamente!) porque até o Bob Esponja e o Pablo foram. Nesta festa realmente o empenho não pôde faltar: óculos com faróis para a criançada, capacetes, videoclip de piloto. Ufa! Deu trabalho mas valeu!

Eu caprichei, né? É chocolate! Tá bom, confesso, minha irmã fez tudo que está em preto!






A paixão pelos dinos aos cinco já era tanta que mereceu ganhar uma festa. A preparação dessa festinha foi a mais gostosa, porque Pedro participou mais ativamente: pesquisou seus dinos preferidos no site do Dino Train e eu os executei em feltro, para a montagem de uma toalha, com o cenário da época. Para essa festinha, que teve dose dupla: no colégio e em casa; fiz de tudo: convites, bolo com dinossauro, fantoches de brinde. Cansou mais que todas, mas também valeu muito ver a alegria de Pedro por conseguir compartilhar um interesse tão genuíno, como o seu pelos dinos, com as demais crianças.

Pedro reclama comigo até hoje porque esqueci de pôr os braços do dino. Ah, mas eu sou amadora!

Até docinho modelado de dinossauro eu fiz. Pois é, foi empenho máximo!


Entenderam por que soou o alarme? Lá vem os seis anos...

Acredito até que Pedro queira viajar, mas na hora H, sempre cabe um bolinho, né? 

E aí, haja empenho!