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terça-feira, 21 de junho de 2011

Mas, e se a psicóloga que atende o seu filho não acredita em superdotação?

Em dois momentos encontrei resitência por parte de psicólogas para aceitarem a alta habilidade de Pedro.

A primeira psicóloga que atendeu Pedro foi a pessoa que ratificou a nossas suspeitas de que ele estava sendo vítima de bullying num dos colégios já citado por mim. Infelizmente, porém, no tempo que se seguiu a este episódio, a psicóloga tentou nos convencer de todas as formas de que nós tentávamos transformar Pedro num mini adulto e desconstruíamos a sua infância a todo tempo. Foram seis meses nesse embate até que resolvi interromper a psicoterapia.

Nessa época ainda não havíamos avaliado Pedro.

O segundo caso foi com a psicóloga da escola atual. Convencida de que Pedro estava deprimido, apesar de saber que suas reclamações e falta de entusiasmo só ocorriam na escola, aliás, só ocorriam em determinados momentos e com determinadas professoras, ela insistia. Essa profissional, mesmo diante do laudo que esclarecia a condição de Pedro e que dava diretrizes sobre como tocar o dia-a-dia com uma pessoa com as suas características de personalidade insitia em sua teoria, e insistiu até o fim.

Dessas duas experiências tirei uma lição: acredite em sua intuição. 

Li em algum lugar (e quando achar a fonte volto aqui para colocá-la) que 80% dos casos em que a família suspeita de que há superdotação ela se confirma após avaliação.

Se tivesse acreditado na primeira psicóloga estaria, até hoje, lutando contra a própria natureza de Pedro Paulo e esta, certamente, tem interesses relativos à sua idade mas, também, tem tantos outros que não o são.

Se tivesse acreditado na segunda, Pedrinho estaria mais tranquilo na escola, mas também medicado, lento e sedado. 

Nenhum dos profissionais pelos quais Pedro passou entendeu que ele estivesse deprimido, a pistas revelam mais que tenha uma frustração intelectual no ambiente escolar.

Veja também:


Mas, e se a psicóloga que atende o seu filho tem segredos com a escola e não os compartilha com você?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O caso da sacola

A professora disse:

"Hoje vamos aprender uma palavrinha nova: sacola (...)"

"(...) Agora nós vamos escrever a palavra sacola. 
A tia vai entregar uma folhinha para vocês copiarem a palavra. 
Embaixo da palavra, desenhem a sacola, combinado?"

Ao conferir o exercício de Pedro, a professora deparou-se com o seguinte desenho:



sacola



Diante da inusitada sacola, a professora perguntou, mas Pedro, a palavrinha nova é sacola, cadê a sacola? E ele respondeu:

"O dinossauro comeu a sacola!"

Pedro quer falar sobre este assunto na escola e enquanto a professora não se convencer disso, ou convidando-o para um projeto individual, ou para participar das aulas dos maiores, ou criando exercícios específicos, ele vão dar o seu jeito de levar os dinos para lá!

Este é um exemplo de situação que pode levar a turma a achar que o aluno com alta habilidade não entendeu nada do que foi exposto, ridicularizando-o. 

Sobre este tema falei também no post Mamãe, eu não sou burro! e no post Não me chamem de Tio Leo.


Mamãe, eu não sou burro!

Pedro chegou em casa reclamando:

"Mãe, eu não sou burro. Eles não podem me chamar de burro!"

E eu respondi:


Claro que você não é burro! Quem falou isso não sabe o que essa palavra significa."

E já aproveitando para desanuviar as coisas perguntei:

"Você conhece o dicionário? É um livro que conta pra gente o que as coisas significam."

Daí peguei o dicionário Aurélio e li:

"Burro significa indivíduo bronco, curto de inteligência, asno, bronco, burrego... Você é isso?"

E ele:

"Não!"

Donde concluí: "Então filho, quem falou isso não sabe o que está dizendo."

Certamente na escola não faltam situações potenciais para que  os alunos PAH sejam vistos como esquisitos ou até burros, afinal de contas sua lógica e, muitas vezes, o comportamento, diferem do grupo.

Cabe ao professor um olhar atento tanto para que o superdotado não substime o restante da turma como para que esta não segregue este aluno que, por suas particularidades se insere no grupo dos portadores de necessidades especiais.

PARA SABER MAIS:


Parceria da Família e da Escola no Convívio com os Superdotados- Alexandre F. Montovani e outros

Não me chamem de Tio Leo!

"Mãe, eu não sou o Tio Leo!

Não quero que me chamem de Tio Leo!"



Tio Leo é o professor de Ciências.

E Pedro, certamente, um dos aluno que mais amam Ciências.


As questão dos apelidos dados a superdotados e o impacto em quem os recebe vem sendo objeto de estudo por pesquisadores. 

Paula Sakaguti em sua dissertação aborda a questão das "brincadeirinhas" e "piadinhas" que, na verdade, podem levar o aluno PAH ao constrangimento diante do grupo.

Vanessa Terezinha Alves Tentes de Ourofino / Tânia Gonzaga Guimarães esclarecem que a"discrepância entre interesses, atitudes, inteligência e criatividade" acaba separando o PAH de seus pares o que provoca "dificuldades de entrosamento com colegas da mesma sala que ao perceberem tais diferenças passam a atuar de maneira incômoda, discriminando e atribuindo apelidos."

E preciso que estejamos alertas à esta questão.

PARA SABER MAIS:

Internet

Concepções de Pais sobre as Altas Habilidades/Superdotação dos Filhos Inseridos em Atendimento Educacional Especializado- Paula Sakaguti

A Construção de Práticas Educacionais para Alunos com Altas Habilidades / Superdotação
Volume 1: Orientação a Professores
Org: Denise de Souza Fleith