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segunda-feira, 20 de junho de 2011

O caminho que percorremos para entender a alta habilidade de Pedro

Acho importante esclarecer como o nosso entendimento sobre a alta habilidade de Pedro vem se construindo ao longo do tempo.

No início, apesar de sabermos que Pedro tinha uma inteligência peculiar não associávamos isso à superdotação.

Como eu e meu marido tivemos lá as nossas precocidades quando éramos crianças, imaginávamos ser natural que com ele se desse da mesma forma.

Tempos depois tive acesso a farto material sobre a Educação Especial e da longa lista de características que li Pedro encaixava-se em muitas delas.

Desse momento em diante meu marido manteve o entendimento que tínhamos até então e eu passei a investigar um pouco mais sobre a superdotação.

Essa investigação, se serviu para aprimorar nossa relação em casa, não serviu para impedir os problemas com as escolas.

Eu ainda não tinha estudado o suficiente: não sabia, por exemplo, que essas crianças são sujeitos de um rol de direitos previstos em lei; não sabia que há o tipo clássico de superdotados, o escolar e o criativo-produtivo, caso de Pedro.

Entender que pedir alguma ou outra flexibilização por parte da escola não é incomodar, mas sim defender um direito de seu filho faz toda a diferença.

Outro passo importante para nós e, acredito que pelos relatos que tenho lido, de outros pais também, é a avaliação. A partir da posse de um laudo o trato com a escola terá como ponto de partida um diagnóstico dado por profissionais. O laudo evita desgastes desnecessários. Evita, por exemplo, que achem que você quer privilégios para o seu filho.

Neste momento, o entendimento principal que absorvemos, eu e meu marido, é que ao procurar uma escola, nós, pais dos PAH, devemos estar atentos ao nível de inclusão das diferenças que esta escola mantém, porque as suas chances de ter acertado são muito maiores do que as que nós tivemos até agora.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O caso da sacola

A professora disse:

"Hoje vamos aprender uma palavrinha nova: sacola (...)"

"(...) Agora nós vamos escrever a palavra sacola. 
A tia vai entregar uma folhinha para vocês copiarem a palavra. 
Embaixo da palavra, desenhem a sacola, combinado?"

Ao conferir o exercício de Pedro, a professora deparou-se com o seguinte desenho:



sacola



Diante da inusitada sacola, a professora perguntou, mas Pedro, a palavrinha nova é sacola, cadê a sacola? E ele respondeu:

"O dinossauro comeu a sacola!"

Pedro quer falar sobre este assunto na escola e enquanto a professora não se convencer disso, ou convidando-o para um projeto individual, ou para participar das aulas dos maiores, ou criando exercícios específicos, ele vão dar o seu jeito de levar os dinos para lá!

Este é um exemplo de situação que pode levar a turma a achar que o aluno com alta habilidade não entendeu nada do que foi exposto, ridicularizando-o. 

Sobre este tema falei também no post Mamãe, eu não sou burro! e no post Não me chamem de Tio Leo.


Mamãe, eu não sou burro!

Pedro chegou em casa reclamando:

"Mãe, eu não sou burro. Eles não podem me chamar de burro!"

E eu respondi:


Claro que você não é burro! Quem falou isso não sabe o que essa palavra significa."

E já aproveitando para desanuviar as coisas perguntei:

"Você conhece o dicionário? É um livro que conta pra gente o que as coisas significam."

Daí peguei o dicionário Aurélio e li:

"Burro significa indivíduo bronco, curto de inteligência, asno, bronco, burrego... Você é isso?"

E ele:

"Não!"

Donde concluí: "Então filho, quem falou isso não sabe o que está dizendo."

Certamente na escola não faltam situações potenciais para que  os alunos PAH sejam vistos como esquisitos ou até burros, afinal de contas sua lógica e, muitas vezes, o comportamento, diferem do grupo.

Cabe ao professor um olhar atento tanto para que o superdotado não substime o restante da turma como para que esta não segregue este aluno que, por suas particularidades se insere no grupo dos portadores de necessidades especiais.

PARA SABER MAIS:


Parceria da Família e da Escola no Convívio com os Superdotados- Alexandre F. Montovani e outros

A escola de Pedro toma ciência do laudo

Hoje a escola foi informada oficialmente sobre a SD/AH de Pedro.

Em breve nos reuniremos para discutirmos soluções.

Conto tudo aqui!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Superdotação no Rio de Janeiro

A longa vida escolar de um menino de 5 anos

 2007: Ingresso na 1ª escola
Pedro iniciou a sua vida escolar com 1 ano e meses. 

Foram apenas 6 meses de escola, interrompidos por bronquites, sinusites e rinites. 

Já aqui a psicóloga da escola chamou-me para relatar que Pedro era insubordinado e que não aceitava bem o trato dado pelas cuidadoras. 

Dava-se muito bem com a professora. 

Dois anos após ter saído da escola, quando a encontramos na rua ele perguntou: "Mãe, porque ela me tratava tão bem? Ela era uma boa professora!"

2008: Ingresso na 2ª escola

Pedro foi matriculado numa escola com metologia socioconstrutivista. 

Ficou lá 2 anos. 

Apesar do afeto que sentíamos por todos retiramos porque passamos a achar que estava incontrolável, respondão, achando que não precisava da orientação de ninguém para nada.

A psicóloga nunca nos chamou. Eu é que, no maternal, pedi uma entrevista para falar sobre tapas na escola, mordidas, esses temas de maternal.

Com a professora do Maternal I cheguei a falar sobre a superdotação que supunha que Pedro tivesse. Também falei sobre a SD de meu marido e ela disse: "Seu marido é nerd, é?". Só faltou dizer, que azar que você deu! 

No fim de 2009 recebi um relatório que dizia que Pedro, a partir do 2º semestre passou a não mais respeitar a professora. 
 
Mas aí, as aulas já tinham acabado. Por que não me avisaram antes?

2010: Ingresso na 3ª e na 4ª escola

Pedro Iniciou o ano na 2ª escola, mas após relato de outros pais sobre o comportamento de seus filhos somados ao relatório no apagar das luzes,  decidimos retirá-lo. 

Até aqui não associávamos a inteligência de Pedro aos problemas comportamentais. 

Achávamos que precisava de mais disciplina, matriculando-o em um colégio marista.

O efeito foi reverso: a diminuição de diálogo na escola e aumento da cobrança fez Pedro reagir com violência. 

Enfrentou uma severa situação de bullying. De forma tão inacreditável que estou escrevendo um livro sobre esses 30 dias que abalaram a infância de meu filho.

Por ser impossível continuar no colégio marista após os 30 dias resgatamos nosso filho de lá. 

Ficou quase 2 meses em casa, depressivo.

 Matriculamos ele em um colégio menor. Que atende até o 1º ano. 

O início foi muito difícil mas o final foi emocionante. 

Pedro considera a professora desse período uma amiga maravilhosa. 

Aliás, todos nós somos fãs da educadora que mais conheceu nosso filho até hoje.

Com essa escola pude conversar abertamente sobre a superdotação. Fui muitas vezes até lá.

Com a mudança de ano, nova professora. Os problemas começaram a aparecer: Pedro só reclamava, dizia que ela era mandona. 

Por fim a escola disse que Pedro não estava feliz lá e que ser o que ele precisa implicaria em mudar a própria metolodologia da escola, que é sócio-construtuvista! Disse que do jardim 2 para 3 a escola vai se transformado em tradicional e que Pedro não se adaptaria.

Tenho que ser justa com esta escola. Lá pude falar sobre a superdotação de uma maneira mais livre. Sem dúvida foi a escola que esteve mais aberta ao tema.

2011: Retorno para o 2º colégio

Após a informação de que Pedro estava infeliz (ou de que ele estava sendo convidado a sair, como quiserem interpretar), nós o rematriculamos naquela que foi a sua segunda escola. 

O motivo dessa escolha formam muitos: Pedro pedia para voltar, já estávamos mais a par da superdotação e imaginávamos que precisava de mais estímulos mentais, o que há nessa escola.

E é lá que ele está hoje. Mas não está bem.

Ele diz que a escola não é mais a mesma.

A escola diz que ele está deprimido porque reclama da aula e da professora.

Ele diz que detesta a professora.

A escola diz que a professora é um doce.

Mas a questão é muito maior que isso.

Informei à escola que estávamos avaliando a superdotação.

A escola sugeriu que seria melhor procurar um psiquiatra e um neurologista, e, indo além, a profissional que me atendia recomendou que eu procurasse um analista para mim. 

Pais, diante disto, têm que exercitar alteridade e muita calma.

Alteridade porque pode ser uma falha de formação profissional da pessoa que nos está atendendo e cuidando de nossos filhos, ou pode ser a contingencia de ter que obedecer uma orientação superior para manter o emprego, o salário, a fonte de sustento (o que é muito grave considerando moral e ética, mas é a realidade).

Calma porque o serviço de ensino oferecido pela iniciativa privada não é inspecionado por nenhuma esfera de governo. É uma situação de total "laisser faire".  Não há a quem recorrer, e via que resta, a judicial, é vagarosa enquanto crianças se desenvolvem rapidamente.

Sugeriu ainda que, como Pedro se recusava a entrar na sala, que eu deixasse de levá-lo e pegá-lo, colocando-o na transporte escolar.

De tudo isto o que fiz foi a última coisa.

Depois de quatro encontros já sabia o que a escola tinha feito com os superdotados que por lá passaram: dois foram para tratamento psicológico, um para ser menos tímido, outro para ser menos agressivo e o terceiro mudou de escola. 

Está no São Bento. Rezo por ele depois das últimas notícias. 

Aliás, fatos que não são novidades para quem é carioca.

No último encontro a escola mostrou-se disposta a fazer uma parceria. 

Propôs que eu leve Pedro a um neurologista, que eu leia o livro novo da Tânia Zaguri e que a psicóloga ensine Pedro a ter limites.
E você deve estar se perguntando: mas e a superdotação?  O que a escola fará quanto a isto?
Por enquanto ainda não me foi apresentada nenhuma proposta para Pedro. 
O que parece é que a escola ainda não se comprometeu com a questão central, que é a superdotação. E enquanto isto não for feito, a escola para ele continuará sendo algo muito ruim.

Parece confuso? Mas este é o resultado, talvez, da nossa falta de informação. Até mesmo das garantias legais destinadas a essas crianças.

Depois de cinco anos, somente agora, vamos começar a tomar providências para que os direitos de Pedro sejam respeitados.

Parte 2

http://www.fnl.org.br/?p=1208&language=pt

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Jurassic School

Pedro ama os dinossauros.

Todos eles.

Quando crescer diz que vai ser paleontólogo.

Na escola, em todos os desenhos, sempre dá um jeito de encaixar um dino ou outro. Mas a escola não fala sobre os dino...

Talvez venha daí a implicância de Pedro com a professora. Desde o primeiro dia de aula ele decidiu que não gosta dela.

Outro dia ela disse para ele que é a mamãezinha dele na escola. Ele disse para mim que não precisa de outra mãe, mesmo que seja no horário da escola.

Pedro quer saber quanto tempo falta para que faça seis anos. Diz que aí, finalmente, vai se livrar da professora.

Hoje foi o dia do aniversário da professora. E houve uma festa.

Pedro mencionou essa festinha e depois não disse mais nada. Até que começou a ficar inquieto- dois dias antes da tal festa, ou seja, no sábado e no domingo.

No domingo fez um desenho da professora, em que "ela se dava mal", como disse.

Mais tarde, soube através da agenda que Pedro não teve um bom dia na escola, que no aniversário foi pior ainda e que bateu na professora. Isso, é claro, ao mesmo tempo em que falava o quanto não gostava dela.

No momento em que escrevo estas linhas pergunto a mim mesma diferentes coisas.

O que a escola e a professora representam para Pedro?

O que eu devo fazer?

Como será o dia de amanhã?

O momento é de agir: hoje recebi o laudo em que se confirma sua superdotação.

Mas, como agir?

Como abordar o assunto com a escola?

Não sei bem, mas preciso saber.

Até amanhã de manhã, quando Pedro entrar na escola preciso saber!

NAHHS/RJ terá reuniões mensais abertas à comunidade

Os NAHHS, Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação, são vinculados à Secretaria de Educação Especial do MEC.

Mês passado fui à primeira reunião aberta ao público em geral no NAHHS. Éramos umas 6 ou 8 mães, apenas eu com filho em escola particular.

Nesse encontro foi explicado que o NAHHS além de acompanhar a suplementação pedagógica das crianças identificadas com SD e AH realizada nas salas de recursos das escolas, servirá como apoio (meio indefinido isso, né?), dos pais da rede particular. Ou seja, as crianças da rede particular não poderão participar das oficinas, do programas, dos incentivos dados pela governo, mas seus pais poderão tirar dúvidas com os profissionais dos núcleos.

Um ponto importante abordado foi a questão do amparo legal que prevê a flexibilização do currículo, o aprofundamento e até a aceleração.

Como na rede pública os professores são treinados sobre a SD e AH, imagino que as coisas andem mais facilmente.

Para quem quiser participar, é preciso entrar em contato com o núcleo pelo e-mail para que entre na lista dos participantes.

Outra informação obtida na reunião com o NAAHS foi sobre o censo escolar.

Foi dito que as escolas públicas incluem os nomes das crianças que começam a ser atendidas pelas salas de recursos no censo, o que influi na maior liberação de verba para as NAAHS e nas políticas públicas para a Superdotação.

As escolas particulares também participam desse censo, mas dificilmente indicam que têm um SD.

Para se ter uma idéia, na escola em que foi a reunião, 77 crianças foram indicadas este ano pelos seus professores para serem avaliadas.

O número parece grande mas como hoje os talentos específicos para as Artes, a Dança, a Música e Esportes também fazem parte deste universo, a tendência, segundo o exposto, é de que no universo escolar, 15% das crianças sejam merecedoras de estímulos diferenciados por conta da AH ou SD.

Já se o fator de avaliação for apenas o talento acadêmico, espera-se que 3% a 5% dos estudantes sejam SD. No Brasil, não identificamos nem esse universo mínimo ainda. 

ENDEREÇO DO NAAHS/RJ

Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação - NAAH/S - RJ (Público)
Endereço: Travessa Manoel Continentino, 32, Bloco B último andar - Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho - IEPIC -São Domingos -24.210-150 - Niterói - RJ
Fones: (21) 3601-2501 ou (21) 3601-1892
Fax:
E-mail: naahs@educacao.rj.gov.brnaahs.rj@hotmail.com