Mostrando postagens com marcador história de vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador história de vida. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 21 de junho de 2011

Pedro dá resposta ao filme Procurando Nemo

Essa historinha merece ser compartilhada. 

Pedro tinha 1 ano e meio quando viu, pela primeira vez, o filme Procurando Nemo. 

Vocês se lembram da cena final do filme? Olhem ela aqui: 


Ao ver a cena, ele respondeu:
"Chamem o peixe-espada, ele abre o saquinho!"

Meios de Transporte

No post Mesinha de Cabeceirinha de maio/junho citei o livro As Férias, que faz parte de uma triologia.

Pois bem, lá estava eu lendo o livro com Pedro pela segunda vez, de noite, cansada, com sono, com muito sono, e sem o entusiasmo que custumo ter quando leio um livro para ele.

A história se dá numa época antiga, lá pelo século XIX. Num determinado momento da história, os personagens precisam ir à Paris.

Nessa parte do livro acho que a minha leitura já deveria estar bem sem entonação, porque ele me perguntou:

"Eles vão para Paris como, de avião?"

E eu, que não esperava a pergunta, respondi sonolenta:

"Sim, de avião."

Aí Pedro não me perdoou:

"Como de avião, se naquela época só tinha carruagem. Você tem que prestar mais atenção na leitura, mamãe!"

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Escola proíbe Pedro de ir à aula-passeio: a longa vida escolar um menino de 5 anos- Parte 2

É isso mesmo. 

Ontem recebi uma ligação da escola informando que a equipe pedagógica decidiu que isto seria melhor para ele e para o grupo porque Pedro não tem obedecido à professora. Pelo contrário!

Fiquei zonza...

Procurei ouvir muitas opiniões: para uns eu devo tirá-lo da escola, porque ela tem sido autoritária; para outros a dinâmica entre escola, família e psicóloga não está funcionando; para outros ainda, seria bom Pedro sentir as consequências de sua dificuldade para "engolir sapos". Talvez a resposta seja a mistura de tudo isto, ou de nada disto...

Vou deixar este texto inacabado porque assim está a minha mente no momento: uma mistura de indignação, com dúvida, com tristeza e outras coisas mais.

Termino com um pequeno relato, é um texto escrito pela professora de Pedro, na agenda escolar de 2010, no mês de outubro, 6 meses depois dele ter saído de uma escola em razão de bullying:

" É muito bom acompanhar o entusiasmo do Pedro Paulo com a vida. Como ele mudou. Nosso menino está mais leve, a alegria e as gargalhadas fazem parte da sua rotina e as demonstrações de carinho são quase que diárias.

Lógico, como qualquer criança de vez em quando realiza com "grande destreza" algumas bobeiras, mas a mudança é visível.

Merecemos parabéns (você e nós), que acreditamos que essa parceria poderia dar tão certo."

Esse menino não batia nem reclamava da professora. Essa professora ele ama. O ano mudou, a professora mudou e a nossa vida também. 

Parte 1

Me conte a sua história....

Foi na Faculdade de Pedagogia que descobri a importância de se narrar uma história de vida.

Ao escrevê-la o autor consegue revisitar o seu passado, organizar o presente, projetar o futuro; enquanto que o leitor tem a possibilidade de se apropriar de uma experiência que, se antes da leitura não lhe pertencia, passa a ser parte dele próprio a partir de então. 

A partir das emoções descritas pelo autor da narrativa o leitor tem a oportunidade, ele mesmo, de pensar e repensar sobre as suas próprias emoções e dilemas.

No meu caso, o que senti e vivi como mãe de Pedro já era tão maior que eu que precisava virar texto.

Há um filme de que gosto muito chamado Narradores de Javé. Nele, uma pequena cidade brasileira é ameaçada de sumir do mapa em nome do progresso. Ao mesmo tempo em que os moradores se dão conta de que podem salvar a cidade se ela for considerada importante pelas autoridades em razão de algo que a singulariza, no caso a sua sua história, resolvem escrevê-la. A partir de então, a história do vilarejo do Vale de Javé passa a ser narrada por um povo analfabeto e escrita por um carteiro esperto. 



Por tudo isso é que ao escrever a história de Pedro pretendo não só motivar pessoas, mas nos reinventar.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Encontro de superdotados em São Paulo

A longa vida escolar de um menino de 5 anos

 2007: Ingresso na 1ª escola
Pedro iniciou a sua vida escolar com 1 ano e meses. 

Foram apenas 6 meses de escola, interrompidos por bronquites, sinusites e rinites. 

Já aqui a psicóloga da escola chamou-me para relatar que Pedro era insubordinado e que não aceitava bem o trato dado pelas cuidadoras. 

Dava-se muito bem com a professora. 

Dois anos após ter saído da escola, quando a encontramos na rua ele perguntou: "Mãe, porque ela me tratava tão bem? Ela era uma boa professora!"

2008: Ingresso na 2ª escola

Pedro foi matriculado numa escola com metologia socioconstrutivista. 

Ficou lá 2 anos. 

Apesar do afeto que sentíamos por todos retiramos porque passamos a achar que estava incontrolável, respondão, achando que não precisava da orientação de ninguém para nada.

A psicóloga nunca nos chamou. Eu é que, no maternal, pedi uma entrevista para falar sobre tapas na escola, mordidas, esses temas de maternal.

Com a professora do Maternal I cheguei a falar sobre a superdotação que supunha que Pedro tivesse. Também falei sobre a SD de meu marido e ela disse: "Seu marido é nerd, é?". Só faltou dizer, que azar que você deu! 

No fim de 2009 recebi um relatório que dizia que Pedro, a partir do 2º semestre passou a não mais respeitar a professora. 
 
Mas aí, as aulas já tinham acabado. Por que não me avisaram antes?

2010: Ingresso na 3ª e na 4ª escola

Pedro Iniciou o ano na 2ª escola, mas após relato de outros pais sobre o comportamento de seus filhos somados ao relatório no apagar das luzes,  decidimos retirá-lo. 

Até aqui não associávamos a inteligência de Pedro aos problemas comportamentais. 

Achávamos que precisava de mais disciplina, matriculando-o em um colégio marista.

O efeito foi reverso: a diminuição de diálogo na escola e aumento da cobrança fez Pedro reagir com violência. 

Enfrentou uma severa situação de bullying. De forma tão inacreditável que estou escrevendo um livro sobre esses 30 dias que abalaram a infância de meu filho.

Por ser impossível continuar no colégio marista após os 30 dias resgatamos nosso filho de lá. 

Ficou quase 2 meses em casa, depressivo.

 Matriculamos ele em um colégio menor. Que atende até o 1º ano. 

O início foi muito difícil mas o final foi emocionante. 

Pedro considera a professora desse período uma amiga maravilhosa. 

Aliás, todos nós somos fãs da educadora que mais conheceu nosso filho até hoje.

Com essa escola pude conversar abertamente sobre a superdotação. Fui muitas vezes até lá.

Com a mudança de ano, nova professora. Os problemas começaram a aparecer: Pedro só reclamava, dizia que ela era mandona. 

Por fim a escola disse que Pedro não estava feliz lá e que ser o que ele precisa implicaria em mudar a própria metolodologia da escola, que é sócio-construtuvista! Disse que do jardim 2 para 3 a escola vai se transformado em tradicional e que Pedro não se adaptaria.

Tenho que ser justa com esta escola. Lá pude falar sobre a superdotação de uma maneira mais livre. Sem dúvida foi a escola que esteve mais aberta ao tema.

2011: Retorno para o 2º colégio

Após a informação de que Pedro estava infeliz (ou de que ele estava sendo convidado a sair, como quiserem interpretar), nós o rematriculamos naquela que foi a sua segunda escola. 

O motivo dessa escolha formam muitos: Pedro pedia para voltar, já estávamos mais a par da superdotação e imaginávamos que precisava de mais estímulos mentais, o que há nessa escola.

E é lá que ele está hoje. Mas não está bem.

Ele diz que a escola não é mais a mesma.

A escola diz que ele está deprimido porque reclama da aula e da professora.

Ele diz que detesta a professora.

A escola diz que a professora é um doce.

Mas a questão é muito maior que isso.

Informei à escola que estávamos avaliando a superdotação.

A escola sugeriu que seria melhor procurar um psiquiatra e um neurologista, e, indo além, a profissional que me atendia recomendou que eu procurasse um analista para mim. 

Pais, diante disto, têm que exercitar alteridade e muita calma.

Alteridade porque pode ser uma falha de formação profissional da pessoa que nos está atendendo e cuidando de nossos filhos, ou pode ser a contingencia de ter que obedecer uma orientação superior para manter o emprego, o salário, a fonte de sustento (o que é muito grave considerando moral e ética, mas é a realidade).

Calma porque o serviço de ensino oferecido pela iniciativa privada não é inspecionado por nenhuma esfera de governo. É uma situação de total "laisser faire".  Não há a quem recorrer, e via que resta, a judicial, é vagarosa enquanto crianças se desenvolvem rapidamente.

Sugeriu ainda que, como Pedro se recusava a entrar na sala, que eu deixasse de levá-lo e pegá-lo, colocando-o na transporte escolar.

De tudo isto o que fiz foi a última coisa.

Depois de quatro encontros já sabia o que a escola tinha feito com os superdotados que por lá passaram: dois foram para tratamento psicológico, um para ser menos tímido, outro para ser menos agressivo e o terceiro mudou de escola. 

Está no São Bento. Rezo por ele depois das últimas notícias. 

Aliás, fatos que não são novidades para quem é carioca.

No último encontro a escola mostrou-se disposta a fazer uma parceria. 

Propôs que eu leve Pedro a um neurologista, que eu leia o livro novo da Tânia Zaguri e que a psicóloga ensine Pedro a ter limites.
E você deve estar se perguntando: mas e a superdotação?  O que a escola fará quanto a isto?
Por enquanto ainda não me foi apresentada nenhuma proposta para Pedro. 
O que parece é que a escola ainda não se comprometeu com a questão central, que é a superdotação. E enquanto isto não for feito, a escola para ele continuará sendo algo muito ruim.

Parece confuso? Mas este é o resultado, talvez, da nossa falta de informação. Até mesmo das garantias legais destinadas a essas crianças.

Depois de cinco anos, somente agora, vamos começar a tomar providências para que os direitos de Pedro sejam respeitados.

Parte 2

http://www.fnl.org.br/?p=1208&language=pt

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O porquê do blog

Faz 2 anos que pretendo começar a escrever a história de Pedro. Mas o tempo, ou a falta dele, me consumia. Só que essa necessidade tem se mostrado cada vez mais premente. Até que disse: é hoje!
Como tinha muitas coisas em mente, pensei, primeiro, em escrever dois blogs- um sobre Ciências, para compartilhar dicas interessantes para os pequenos cientistas; outro sobre o nosso cotidiano.
Mas, ao começar a escrever este blog, que seria  sobre ciências, percebi que, como dizem  por aí "está tudo junto e misturado", ou seja, falar sobre Pedro é falar sobre Ciências, porque ela é  um dos grandes temas que transpassam nossas vidas, mas não o único.
Pedro, que foi um bebê precoce, e tem sido uma criança precoce também, já tem histórias que merecem ser compartilhadas. Espero aqui encontrar outros pais de cientistas, artistas, músicos, filósofos, talentosos desde os primeiros dias de suas vidas.
Um forte abraço!
Ana Paula