Criança é curiosa. Criança cientista é mais ainda! Esse blog existe para relatar a experiência de ser mãe de um menino que é cientista desde que fala, bem como questões relativas à superdotação, alta habilidade, talento e (con)vivência escolar.
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terça-feira, 14 de junho de 2011
Nova página do blog: Legislação
Mais uma novidade. Aqui estarão reunidas as leis, pareceres e resoluções sobre o tema.
Postado por
Mãe de Adolescente Cientista
às
11:06
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terça-feira, 7 de junho de 2011
A longa vida escolar de um menino de 5 anos
2007: Ingresso na 1ª escola
Pedro iniciou a sua vida escolar com 1 ano e meses.
Foram apenas 6 meses de escola, interrompidos por bronquites, sinusites e rinites.
Já aqui a psicóloga da escola chamou-me para relatar que Pedro era insubordinado e que não aceitava bem o trato dado pelas cuidadoras.
Dava-se muito bem com a professora.
Dois anos após ter saído da escola, quando a encontramos na rua ele perguntou: "Mãe, porque ela me tratava tão bem? Ela era uma boa professora!"
2008: Ingresso na 2ª escola
Pedro foi matriculado numa escola com metologia socioconstrutivista.
Ficou lá 2 anos.
Apesar do afeto que sentíamos por todos retiramos porque passamos a achar que estava incontrolável, respondão, achando que não precisava da orientação de ninguém para nada.
A psicóloga nunca nos chamou. Eu é que, no maternal, pedi uma entrevista para falar sobre tapas na escola, mordidas, esses temas de maternal.
Com a professora do Maternal I cheguei a falar sobre a superdotação que supunha que Pedro tivesse. Também falei sobre a SD de meu marido e ela disse: "Seu marido é nerd, é?". Só faltou dizer, que azar que você deu!
No fim de 2009 recebi um relatório que dizia que Pedro, a partir do 2º semestre passou a não mais respeitar a professora.
Mas aí, as aulas já tinham acabado. Por que não me avisaram antes?
2010: Ingresso na 3ª e na 4ª escola
Pedro Iniciou o ano na 2ª escola, mas após relato de outros pais sobre o comportamento de seus filhos somados ao relatório no apagar das luzes, decidimos retirá-lo.
Até aqui não associávamos a inteligência de Pedro aos problemas comportamentais.
Achávamos que precisava de mais disciplina, matriculando-o em um colégio marista.
O efeito foi reverso: a diminuição de diálogo na escola e aumento da cobrança fez Pedro reagir com violência.
Enfrentou uma severa situação de bullying. De forma tão inacreditável que estou escrevendo um livro sobre esses 30 dias que abalaram a infância de meu filho.
Por ser impossível continuar no colégio marista após os 30 dias resgatamos nosso filho de lá.
Ficou quase 2 meses em casa, depressivo.
Matriculamos ele em um colégio menor. Que atende até o 1º ano.
O início foi muito difícil mas o final foi emocionante.
Pedro considera a professora desse período uma amiga maravilhosa.
Aliás, todos nós somos fãs da educadora que mais conheceu nosso filho até hoje.
Com essa escola pude conversar abertamente sobre a superdotação. Fui muitas vezes até lá.
Com a mudança de ano, nova professora. Os problemas começaram a aparecer: Pedro só reclamava, dizia que ela era mandona.
Por fim a escola disse que Pedro não estava feliz lá e que ser o que ele precisa implicaria em mudar a própria metolodologia da escola, que é sócio-construtuvista! Disse que do jardim 2 para 3 a escola vai se transformado em tradicional e que Pedro não se adaptaria.
Tenho que ser justa com esta escola. Lá pude falar sobre a superdotação de uma maneira mais livre. Sem dúvida foi a escola que esteve mais aberta ao tema.
2011: Retorno para o 2º colégio
Após a informação de que Pedro estava infeliz (ou de que ele estava sendo convidado a sair, como quiserem interpretar), nós o rematriculamos naquela que foi a sua segunda escola.
O motivo dessa escolha formam muitos: Pedro pedia para voltar, já estávamos mais a par da superdotação e imaginávamos que precisava de mais estímulos mentais, o que há nessa escola.
E é lá que ele está hoje. Mas não está bem.
Ele diz que a escola não é mais a mesma.
A escola diz que ele está deprimido porque reclama da aula e da professora.
Ele diz que detesta a professora.
A escola diz que a professora é um doce.
Mas a questão é muito maior que isso.
Informei à escola que estávamos avaliando a superdotação.
A escola sugeriu que seria melhor procurar um psiquiatra e um neurologista, e, indo além, a profissional que me atendia recomendou que eu procurasse um analista para mim.
Pais, diante disto, têm que exercitar alteridade e muita calma.
Alteridade porque pode ser uma falha de formação profissional da pessoa que nos está atendendo e cuidando de nossos filhos, ou pode ser a contingencia de ter que obedecer uma orientação superior para manter o emprego, o salário, a fonte de sustento (o que é muito grave considerando moral e ética, mas é a realidade).
Calma porque o serviço de ensino oferecido pela iniciativa privada não é inspecionado por nenhuma esfera de governo. É uma situação de total "laisser faire". Não há a quem recorrer, e via que resta, a judicial, é vagarosa enquanto crianças se desenvolvem rapidamente.
Pais, diante disto, têm que exercitar alteridade e muita calma.
Alteridade porque pode ser uma falha de formação profissional da pessoa que nos está atendendo e cuidando de nossos filhos, ou pode ser a contingencia de ter que obedecer uma orientação superior para manter o emprego, o salário, a fonte de sustento (o que é muito grave considerando moral e ética, mas é a realidade).
Calma porque o serviço de ensino oferecido pela iniciativa privada não é inspecionado por nenhuma esfera de governo. É uma situação de total "laisser faire". Não há a quem recorrer, e via que resta, a judicial, é vagarosa enquanto crianças se desenvolvem rapidamente.
Sugeriu ainda que, como Pedro se recusava a entrar na sala, que eu deixasse de levá-lo e pegá-lo, colocando-o na transporte escolar.
De tudo isto o que fiz foi a última coisa.
Depois de quatro encontros já sabia o que a escola tinha feito com os superdotados que por lá passaram: dois foram para tratamento psicológico, um para ser menos tímido, outro para ser menos agressivo e o terceiro mudou de escola.
Está no São Bento. Rezo por ele depois das últimas notícias.
Aliás, fatos que não são novidades para quem é carioca.
No último encontro a escola mostrou-se disposta a fazer uma parceria.
Propôs que eu leve Pedro a um neurologista, que eu leia o livro novo da Tânia Zaguri e que a psicóloga ensine Pedro a ter limites.
E você deve estar se perguntando: mas e a superdotação? O que a escola fará quanto a isto?
Por enquanto ainda não me foi apresentada nenhuma proposta para Pedro.
O que parece é que a escola ainda não se comprometeu com a questão central, que é a superdotação. E enquanto isto não for feito, a escola para ele continuará sendo algo muito ruim.
Parece confuso? Mas este é o resultado, talvez, da nossa falta de informação. Até mesmo das garantias legais destinadas a essas crianças.
Depois de cinco anos, somente agora, vamos começar a tomar providências para que os direitos de Pedro sejam respeitados.
Parte 2
Parte 2
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Mãe de Adolescente Cientista
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01:03
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