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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Mais do mesmo: a longa vida escolar de uma criança de 5 anos- parte 4

Eu ainda não havia dito.

Apesar da decisão de desmatricularmos Pedro ainda não havíamos ido à escola para concretizar o ato.

Talvez porque se, por um lado, eu já estava convencida de que a possibilidade de diálogo havia se esgotado; meu marido, por outro, acreditava, bem lá no fundo de seu coração, e eu bem sei disso, que uma escola com discurso moderno, progressista, sustentável, tecnológico e politicamente correto estaria disposta a lidar com o nosso "problema". Para ele era uma questão de se conversar com as pessoas certas.

Com esse pensamento lá foi o maridão para uma reunião que teria dupla função: entender porque Pedro foi excluído do passeio escolar e saber qual a proposta de trabalho da escola para Pedro, uma vez que esta estava na posse do laudo que atestava a superdotação há três semanas e nada havia dito até então.

E o que meu marido ouviu foi mais do mesmo.

Para a escola Pedro é um menino sem limites, que não respeita a professora, um reizinho mandão.

Sobre a necessidade educacional especial alegou que nada há a fazer, a adaptar, a mudar, flexibilizar. Não há como se garantir, então, os direitos legais de um PAH nessa escola.  Ainda bem que me poupei de assistir a essa panacéia!

Talvez a escola pense que por ofertar culinária, música, psicomotricidade, tecnologias, literatura, ciências, já dê todas as condições de que Pedro precisa.

Talvez a escola não perceba que esse variado leque de ofertas também é homogeneizante, porque é comum a todos os alunos.

Talvez a escola não tenha percebido que não estamos falando de variedade de atividades; estamos falando de inclusão.

E a inclusão de um PAH requer estudo, muito estudo para entendê-los, porque se todos têm talentos, há uma segunda marca que é: cada caso é um caso.

Talvez se a escola tivesse saído do encastelamento prepotente dos que tudo sabem eu tivesse sugerido a leitura do artigo Características Sócio-Emocionais do Superdotado: Questões Atuais, de Eunice Soriano, bem como do artigo  Dificuldades Emocionais e Sociais do Superdotado  da mesma autora juntamente com Angela Virgolim.

Mas não houve espaço, cheguei a sugerir a leitura de Renzulli, mas não percebi empatia.

Após ouvir o mesmo mais uma vez a pontinha de esperança de meu marido se apagou e ontem, finalmente, Pedro foi desmatriculado. Amém!


segunda-feira, 6 de junho de 2011

NAHHS/RJ terá reuniões mensais abertas à comunidade

Os NAHHS, Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação, são vinculados à Secretaria de Educação Especial do MEC.

Mês passado fui à primeira reunião aberta ao público em geral no NAHHS. Éramos umas 6 ou 8 mães, apenas eu com filho em escola particular.

Nesse encontro foi explicado que o NAHHS além de acompanhar a suplementação pedagógica das crianças identificadas com SD e AH realizada nas salas de recursos das escolas, servirá como apoio (meio indefinido isso, né?), dos pais da rede particular. Ou seja, as crianças da rede particular não poderão participar das oficinas, do programas, dos incentivos dados pela governo, mas seus pais poderão tirar dúvidas com os profissionais dos núcleos.

Um ponto importante abordado foi a questão do amparo legal que prevê a flexibilização do currículo, o aprofundamento e até a aceleração.

Como na rede pública os professores são treinados sobre a SD e AH, imagino que as coisas andem mais facilmente.

Para quem quiser participar, é preciso entrar em contato com o núcleo pelo e-mail para que entre na lista dos participantes.

Outra informação obtida na reunião com o NAAHS foi sobre o censo escolar.

Foi dito que as escolas públicas incluem os nomes das crianças que começam a ser atendidas pelas salas de recursos no censo, o que influi na maior liberação de verba para as NAAHS e nas políticas públicas para a Superdotação.

As escolas particulares também participam desse censo, mas dificilmente indicam que têm um SD.

Para se ter uma idéia, na escola em que foi a reunião, 77 crianças foram indicadas este ano pelos seus professores para serem avaliadas.

O número parece grande mas como hoje os talentos específicos para as Artes, a Dança, a Música e Esportes também fazem parte deste universo, a tendência, segundo o exposto, é de que no universo escolar, 15% das crianças sejam merecedoras de estímulos diferenciados por conta da AH ou SD.

Já se o fator de avaliação for apenas o talento acadêmico, espera-se que 3% a 5% dos estudantes sejam SD. No Brasil, não identificamos nem esse universo mínimo ainda. 

ENDEREÇO DO NAAHS/RJ

Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação - NAAH/S - RJ (Público)
Endereço: Travessa Manoel Continentino, 32, Bloco B último andar - Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho - IEPIC -São Domingos -24.210-150 - Niterói - RJ
Fones: (21) 3601-2501 ou (21) 3601-1892
Fax:
E-mail: naahs@educacao.rj.gov.brnaahs.rj@hotmail.com