Para quem chegou no blog recentemente e, principalmente, para quem não tem vivido alguma experiência escolar com crianças PAH, o post de ontem-
Dicas para pais de PAH, pode ser meio assustador. Também pode levar o leitor a pensar que fiz apologia à escola pública ou que me posicionei contra a escola particular.
Nada disso!
Longe de mim entrar no debate sobre a vantagem de uma escolha sobre a outra, até porque nós, pais de crianças em idade escolar, já sabemos quais são as vantagens (e desvantagens) de uma e da outra.
O foco do post, na verdade é o de demonstrar um ponto que desconhecia até bem pouco tempo e que coloca a escola pública em vantagem sobre a média das escolas particulares na proporção lebre para tartaruga: a prontidão para a inclusão.
Li em algum lugar uma frase que ficou na minha cabeça: a inclusão é uma questão de diretos humanos. Creio que este é o primeiro entendimento que precisamos ter: deficientes auditivos e visuais, cadeirantes, disléxicos, portadores de síndrome de down, entre outros, todos têm direito à inclusão na sociedade, e essa inclusão passa também pela escola, pela sua adaptação às necessidades educacionais especiais desses alunos.
O segundo ponto importante é: o superdotado faz parte do grupo acima, ou seja, também ele tem necessidade educacional especial. E por mais difícil que seja enxergar como um não-deficiente está neste grupo, acreditem, é verdade! Tratamos dessa questão no post
"Por que os superdotados têm direito à Educação Especial?" e o que justifica a inclusão é uma série de
características dos PAH. Para os superdotados a inclusão se daria através do enriquecimento curricular, do agrupamento com crianças de outras idades e da aceleração de série.
A conclusão, então, é que respeitar a necessidade especial do PAH também é uma questão de direitos humanos!
Mas, porque digo que a escola pública é mais inclusiva, ou pelo menos me parece ser mais inclusiva que a escolas por onde andei?
1º- Porque para a escola pública não há escolha: ela tem a obrigação legal de acolher a todos os matriculados;
3º- Porque há capacitação dos professores sobre o tema, já que a previsão é de que eles identifiquem as crianças e enviem para uma avaliação (sei que a realidade ainda não é esta em muitos municípios, mas há a previsão legal, é preciso que se cobre);
4º- Porque há os Núcleos de Atendimento de Alta Habilidade e Superdotação (NAAHS), responsáveis pelo acompanhamento e capacitação na rede pública.
Na prática, enquanto nas escolas por onde andei nos olharam com ceticismo quando tentei vincular o comportamento de Pedro (também e não somente) à superdotação, algo que é o be-a-bá do tema para qualquer um que já se aprofundou um pouquinho só nele, vi algo diferente e novo na escola pública que visitei em Niterói.
Fui até lá numa manhã de quarta-feira para a primeira reunião do NAAHS/RJ em 2011. Lá estavam mães de crianças que estudam na rede pública e que foram indicadas pelos seus professores para participarem da sala de recursos, onde acontecem atividades de suplementação curricular (através de oficinas) para as crianças PAH que, depois de indicadas, foram avaliadas pelo núcleo e reconhecidas como tal.
O objetivo da reunião era o de capacitar os pais sobre o tema superdotação, além de esclarecer sobre o método de trabalho com essas crianças. A reunião é aberta a todos os interessados e valeu muito ter ido. Lá vi o inverso do que vivi na escola particular, lá era a escola que se esforçava para que os pais e responsáveis entendessem que seus pimpolhos eram PAH, quais são os seus direitos, comportamento, etc.
Foi muito boa a experiência e sempre que puder irei até lá.
Quando tive a oportunidade de falar disse para aquelas mães que aproveitassem a chance de estar em uma escola que sabe lidar com a superdotação de seus filhos, porque lá fora, a vida escolar nem sempre é assim!